
Os professores da Unicamp, por meio da ADunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp), emitiram uma nota de indignação e repúdio à violência contra os povos indígenas após a vitória de Lula nas eleições de 2026. Veja nota:
A ADunicamp repudia os ataques, as ameaças e o assédio eleitoral contra os povos indígenas e exige investigação, responsabilização e proteção às comunidades ameaçadas.
A ADunicamp manifesta seu mais veemente repúdio à escalada de violência política, racismo e intimidação contra os povos indígenas no Brasil após o segundo turno das eleições presidenciais. Ameaças de morte, agressões, atropelamentos e denúncias de possível envenenamento da água que abastece comunidades indígenas constituem ocorrências gravíssimas, que exigem resposta imediata do poder público.
Segundo informações divulgadas pelo governo federal em 28 de outubro, foram contabilizados 45 episódios de violência política no período, incluindo dez homicídios, três deles com vítimas indígenas. No Mato Grosso do Sul, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) denunciou episódios de violência e intimidação contra comunidades indígenas.
A violência contra os povos originários não pode ser naturalizada, relativizada ou tratada como consequência aceitável de disputas eleitorais. Ameaçar comunidades, atacar seus direitos e colocar em risco suas vidas é incompatível com a democracia e com os princípios mais elementares de dignidade humana. O assédio eleitoral e a violência política, sobretudo quando atravessados pelo racismo, exigem vigilância permanente e ação firme das instituições públicas.
A Unicamp conta atualmente com mais de 500 estudantes indígenas, pertencentes a aproximadamente 60 povos diferentes. Essa presença expressa a importância das políticas de inclusão e democratização do acesso à universidade pública e reafirma o compromisso institucional com a diversidade dos povos que constituem o Brasil.
A ADunicamp se solidariza com os povos indígenas, suas comunidades, lideranças e organizações, em especial com a APIB e as redes de comunicação indígena que têm dado visibilidade a essas denúncias. Soma sua voz à das entidades sindicais, dos movimentos sociais e das organizações comprometidas com a defesa dos direitos humanos, dos territórios indígenas e da democracia.
Exigimos das autoridades competentes a apuração célere, rigorosa e transparente de todas as denúncias; a identificação e a responsabilização dos autores, respeitado o devido processo legal; a adoção de medidas imediatas para proteger as comunidades ameaçadas e garantir o acesso seguro à água e aos serviços públicos; e a vigilância permanente diante de novas ocorrências de violência política, racismo e assédio eleitoral. Reivindicamos, ainda, que as instituições públicas não se limitem a responder a episódios consumados, mas atuem preventivamente para impedir que ameaças se convertam em novas agressões e mortes.
Reafirmamos que não há democracia onde o resultado das urnas serve de pretexto para perseguir, ameaçar ou matar. Não há justiça social sem o reconhecimento dos direitos dos povos originários, sem a proteção de seus territórios e sem o enfrentamento do racismo.
A violência contra os povos indígenas é uma ameaça à democracia.
ADunicamp – Associação de Docentes da Unicamp
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