
Um fugitivo do sistema democrático. Nunca na história do Brasil, um político em pleno regime democrático, e após fazer campanha política livremente pelo país por vários meses, planeja uma fuga pela Argentina, Equador e EUA. Nunca na história deste país um político do partido com maior bancada no Congresso fugiu no escuro da noite. A fuga de Flávio Bolsonaro nada tem a ver com política, mas com a possível quebra de sigilo de suas contas por envolvimento direto nos maiores escândalos de corrupção no Brasil. A característica da extrema direita, na qual o clã Bolsonaro se enquadra, é burlar todas as regras democráticas, seja no sistema eleitoral ou no sistema judicial e financeiro.
O avião que deixou o Equador com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família a bordo pousou pouco antes das 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28) no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos.
De acordo com o site de monitoramento de voos em tempo real Flight Aware, a viagem durou cerca de quatro horas.
Flávio, a esposa e as filhas fugiram pela fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador. As informações foram confirmadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido STF para apenas entregar seus passaportes à Polícia Federal.
Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo (26) ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.
Lavagem de dinheiro
Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, seu amigo. Ambos negam qualquer irregularidade.
A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior. (Com informações da Agência Brasil)
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