Nova delação de Vorcaro precisa explicar repasse de dinheiro para Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira

(imagem reprodução video)

Os novos advogados de Daniel Vorcaro querem uma nova tentativa de delação premiada. Eles dizem que o ex-banqueiro tem mais informações a apresentar às autoridades sobre sua relação com integrantes do meio político. Preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o banqueiro deve detalhar esses pontos aos advogados, que tentam reconstruir a estratégia jurídica após tentativas frustradas de delação premiada. As informações foram divulgadas pela jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil.

A informação principal que Vorcaro precisa explicar é a promessa de entregar R$ 134 milhões para Flávio Bolsonaro (PL). Vorcaro precisa explicar o motivo de prometer R$ 134 milhões para a família Bolsonaro e de ter repassado R$ 61 milhões supostamente para fazer um filme, que também não tem explicação sobre o uso dos recursos. Vale lembrar que a compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília e os R$ 134 milhões acontecem após o Banco Central dar autorização para Daniel Vorcaro operar um banco, durante o governo Bolsonaro, e após várias negativas.

Outra é sobre Ciro Nogueira. A Polícia Federal apontou que o senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em repasses mensais (“mesadas”) do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre junho de 2024 e agosto de 2025. As investigações no Supremo Tribunal Federal indicam troca de favores políticos, incluindo a apresentação de emenda legislativa de interesse do banco.

Os advogados de Vorcaro tentam passar a informação de que ainda há elementos não apresentados à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal. Precisa saber se será mais uma promessa vazia de Vorcaro.

Os advogados de Daniel Vorcaro dizem que ele tem mais elementos a fornecer à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal.

A movimentação ocorre no contexto de uma possível terceira tentativa de colaboração premiada. As propostas anteriores foram consideradas incompletas ou omissas pela PF e pela PGR, que não viram nas tratativas elementos suficientes para avançar em um acordo.

A defesa de Vorcaro passou a ser integrada pelo advogado Daniel Bialski, ao lado de Sérgio Leonardo, descrito como próximo da família do empresário. O primeiro passo da nova equipe foi pedir ao ministro André Mendonça, do STF, a ampliação do tempo de visita ao ex-banqueiro na Papuda.

O argumento apresentado ao Supremo é que o período disponível para conversas com Vorcaro seria insuficiente para levantar, com o detalhamento necessário, tudo o que ele poderia relatar às autoridades. A intenção dos advogados é fazer um diagnóstico mais amplo antes de decidir se uma nova proposta de delação será formalizada.

A avaliação é que há mais elementos a serem apresentados que podem ser valiosos para as autoridades brasileiras e que não foram levantados ou mapeados pelas defesas anteriores. E isso passa pela relação de Vorcaro com integrantes do meio político. E nesse ponto, os principais envolvidos são o próprio Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira (PP).

A avaliação da defesa não significa necessariamente que novos nomes ou fatos relevantes sobre a crise do Banco Master serão apresentados. Isso dependerá do trabalho que será feito pelos advogados a partir das conversas com o empresário.

A leitura da atual defesa é que as estratégias anteriores falharam em algum ponto e que Vorcaro ainda poderia ter informações capazes de mudar a posição da PF, da PGR e do STF sobre uma colaboração premiada.

Durante as investigações, a Polícia Federal teria considerado repetidamente insuficiente o conteúdo das propostas apresentadas. A avaliação dos investigadores era de que muitas das informações levadas por Vorcaro já eram conhecidas pelas autoridades.

Na terceira delação, o ex-banqueiro precisa explicar a relação com Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, e que tipo de facilidade ele teve para dar dinheiro para os dois senadores.

Existe uma especulação no meio político de que ele teria retido informações com a esperança de ser ‘salvo pelo sistema’, e que teria omitido parte das informações. (Com informações do 247)


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