A tentativa de feminicídio que expôs crimes da extrema direita nas eleições do Brasil e AL

(imagem de vídeo)

O consultor político da família Bolsonaro e amigo de Eduardo Bolsonaro, Fernando Cerimedo, está preso na Bolívia após tentar matar sua ex-companheira, Nadia Beller. Eduardo Bolsonaro e Fernando Cerimedo possuem um longo histórico de encontros, transmissões conjuntas e participações em eventos da direita latino-americana, com os desdobramentos mais recentes ocorrendo em 2026.

O acusado de feminicídio amigo da família Bolsonaro, Fernando Cerimedo, não teve um cargo oficial ou papel formal de contratação reconhecido pela Justiça Eleitoral nas eleições brasileiras de 2022, embora tenha declarado em entrevistas que colaborou informalmente com captação de votos para a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. Sua participação central e de maior impacto ocorreu na disseminação de notícias falsas sobre urnas eletrônicas. Agora a polícia desvendou uma fazenda de robôs. A”fazenda de robôs” (ou granja de bots) ligada a Fernando Cerimedo foi encontrada pelo Ministério Público da Bolívia em uma residência durante mandados de busca em La Paz.

Cerimedo é conhecido por organizar a disseminação de notícias falsas para a extrema direita latino americana e ajudar a extrema direita a ganhar eleições. Por isso, acredita que ele é financiado pela extrema direita dos EUA para articular a disseminação de notícias falsas para desestabilizar os processos eleitores. O marqueteiro atuou na estratégia de comunicação digital de campanhas da direita e extrema-direita em vários países da América do Sul, incluindo o Brasil (com Jair Bolsonaro), a Argentina (com Javier Milei) e o Chile (com José Antonio Kast), além de envolvimento em disputas institucionais e articulações regionais.

Crime desencadeou outros crimes

A advogada e ativista boliviana Nadia Beller, ex-companheira do consultor político argentino Fernando Cerimedo, foi baleada três vezes na noite de segunda-feira (17/8) e permanece internada. Em entrevista concedida no hospital, ela acusou Cerimedo de ter participação no ataque e afirmou que os responsáveis pelo crime chegaram a hesitar antes de decidir se a executariam.

“Eles tentaram me silenciar. Se eu não falar com o povo boliviano, eles tentarão terminar o que começaram”, afirmou.

Cerimedo é um agente que atua em toda a América Latina. É ex-assessor do presidente argentino Javier Milei e atualmente é ligado ao governo do presidente boliviano Rodrigo Paz, além da relação com o clã Bolsonaro. Isso demonstra uma orquestração dos EUA para fraudar as eleições na América Latina. São milhões de dólares envolvidos em campanhas de ataques e informações falsas, com mega centro de robôs para influenciar a opinião pública. No Brasil, centram ataques no presidente Lula, tentando destruir sua imagem.

Segundo a advogada que sobreviveu, ela se jogou no chão depois dos disparos e permaneceu imóvel por cerca de meia hora. Um dos homens, de acordo com o relato, teria se aproximado para verificar se ela ainda estava viva, mas recuou antes de atirar novamente.

“Me joguei no chão e fiquei ali por cerca de meia hora, sem me mexer. Um dos sicários hesitou sobre se deveria se aproximar e me dar o tiro de misericórdia, não? E o outro disse: “Já está, vamos”, relatou.

A ativista afirmou ainda que os criminosos roubaram seu celular, onde estariam registros de episódios de violência que ela atribui a Cerimedo e outras informações que poderiam ser relevantes para a investigação.

Fernando Cerimedo foi detido nesta terça-feira, 18, no aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, quando tentava viajar para Buenos Aires. O argentino é investigado por possível envolvimento no ataque contra Beller.

A polícia boliviana trabalha com diferentes hipóteses para o crime, incluindo a possibilidade de uma motivação relacionada ao relacionamento entre os dois.

CRIMES

De acordo com o relato de Beller, a Justiça boliviana agiu corretamente ao decretar a prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias. Ela ressaltou que, no presídio onde estava detido inicialmente, o empresário ainda tentava manter o controle das polícias e gerenciar suas redes. Registros de conversas obtidos no processo mostram a articulação prévia para a contratação de pistoleiros e a recepção fria de mensagens confirmando que ela já havia sido baleada, além da comunicação frequente de Cerimedo com Eric Correa, seu chefe de inteligência.

O estopim para a ordem de execução teria sido a recente descoberta de uma gravidez fruto do relacionamento com o empresário, somada às ameaças da advogada de denunciar formalmente agressões físicas sofridas anteriormente. Beller relatou que Cerimedo a havia enforcado em 24 de junho e a chantageava com ameaças de suicídio para evitar registros policiais.

No âmbito financeiro, Beller descreveu movimentações milionárias sem comprovação de origem. A ativista afirmou que Cerimedo ostentava faturamentos mensais da ordem de US$ 800 mil em Buenos Aires, que justificaria perante a fiscalização como doações.

A advogada fez acusações diretas sobre o funcionamento interno da administração de Javier Milei. Ela relatou que Cerimedo afirmava abertamente que a irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, chefiava um esquema de cobrança e recebimento de propinas na Agência Nacional de Deficiência (Andis). Beller lembrou que a ex-mulher do empresário, Natalia Basil, foi exonerada do mesmo órgão após o vazamento de áudios e e-mails contendo denúncias contra a gestão.

Beller afirmou ainda que Cerimedo classificava Milei como uma pessoa instável e com problemas mentais. O consultor teria revelado à companheira que a campanha do presidente financiou relacionamentos para criar aparências públicas — citando repasses feitos à atriz Fátima Florez — e costumava pagar por encontros discretos para chantagear ou envolver adversários políticos em situações comprometedoras.

Por fim, a ativista detalhou a dimensão das estruturas operadas pelo consultor para desinformação, ataques virtuais e guerras digitais na América Latina e em outras regiões. Beller afirmou que a principal fazenda de robôs controlada por ele está sediada na Argentina e ressaltou que as táticas de manipulação digital e criação de perfis falsos foram introduzidas no ambiente político boliviano diretamente por Cerimedo. Ela concluiu reafirmando que não será intimidada pelas campanhas de difamação e que continuará atuando na esfera legal até a responsabilização de todos os envolvidos no atentado.

O caso teve ampla repercussão na Argentina e Bolívia, mas no Brasil foi abafado, apesar do tamanho do escândalo, do crime e das fraudes nas eleições com fazenda de robôs. (Com informações do 247)

Veja vídeos:

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