Flávio Bolsonaro comprou mansão e cobrou R$ 134 milhões após BC aprovar banco de Vorcaro

(imagens reprodução ptorg-icl)

Após o Banco Central autorizar Daniel Vorcaro a ter um banco, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a vida financeira do filho, Flávio Bolsonaro (PL), e de toda família, melhorou bastante, coincidentemente.

A aprovação do Banco Central para que o banqueiro que está preso pudesse operar no sistema financeiro saiu em outubro de 2019 durante o governo do pai Jair Bolsonaro. E pouco mais de um ano depois, Flávio Bolsonaro fechava a compra de uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, em fevereiro de 2021, por cerca de R$ 6 milhões declarados. O imóvel de alto padrão possui mais de 1.000 m² de área construída e gerou ampla repercussão política e econômica devido à forma de aquisição e quitação da dívida. [1, 2, 3]. Inclusive sobre o valor estar abaixo do mercado na região, que seria de algo próximo de R$ 14 milhões.

Depois de comprar o imóvel, a melhora financeira de Flávio não parou. O banqueiro Vorcaro prometeu pagar mais R$ 134 milhões para a família Bolsonaro fazer o filme Dark Horse, segundo o próprio Flávio Bolsonaro, após vazar a gravação em que ele foi desmentido. No total, a mansão mais o financiamento do filme seria de cerca de R$ 150 milhões, um número redondo. Há uma cronologia da bondade de Vorcaro com a família Bolsonaro.

O interessante é que a compra do imóvel também tem ligação com o rombo no sistema financeiro provocado por Daniel Vorcaro. O imóvel foi adquirido por aproximadamente R$ 5,97 milhões no começo de 2021. Flávio deu cerca de R$ 2,87 milhões de entrada — valor que ele justificou ter obtido com a venda de um imóvel no Rio de Janeiro e de uma franquia de chocolates — e financiou o restante (R$ 3,1 milhões) junto ao Banco de Brasília (BRB). O Banco de Brasília foi talvez o principal envolvido no escândalo do Banco Master.

As investigações da Polícia Federal e do Banco Central apontam que as operações suspeitas e a venda de carteiras de crédito ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master geraram um prejuízo estimado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões ao Banco de Brasília (BRB).

O Banco de Brasília (BRB) sofreu prejuízos bilionários ao adquirir cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas, títulos podres e ativos sem lastro do Banco Master, em meio a negociações irregulares conduzidas sem a devida avaliação de risco e com indícios de participação consciente de ex-dirigentes.

É esse Banco Master fez o financiamento para Flávio Bolsonaro com prazo inicial de 30 anos e taxa de juros nominal de 3,65% ao ano. Mas o pagamento foi rápido. Em meados de 2024, após apenas três anos, o financiamento de R$ 3,1 milhões foi inteiramente quitado. A quitação ocorreu por meio do pagamento de seis parcelas de valores elevados, variando entre R$ 198 mil e R$ 997 mil, totalizando cerca de R$ 3,4 milhões desembolsados no período.

Logo após quitar a mansão, Flávio inicia no ano seguinte a cobrança pelos R$ 134 milhões. As negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um aporte de US$ 24 milhões (equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para o filme Dark Horse, ocorreram em contatos que se estenderam ao longo de 2025, vindo a público em maio de 2026 após vazamento de mensagens e áudios.

Até o momento, a Polícia Federal e a PGR parecem não associar os fatos, pelo menos publicamente. É interessante porque Daniel Vorcaro fez a primeira tentativa de obter a licença em 2017, seguida por uma recusa oficial em fevereiro de 2019, no final da gestão de Ilan Goldfajn e antes da entrada do indicado por Jair Bolsonaro, que foi Roberto Campos Neto.

O indicado por Bolsonaro exerceu o cargo de presidente do Banco Central do Brasil de 28 de fevereiro de 2019 a 1º de janeiro de 2025. Já no primeiro ano da usa entrada, o Banco Central mudou completamente sobre o pedido de Vorcaro, que fez nova proposta, e foi aprovada em 14 de outubro de 2019.


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