Estado mais violento para jovens tem orçamento da Polícia 91 vezes maior do que o de Ciência e Tecnologia

(foto marcus paulo – wiki)

A ascensão da extrema direita destruiu o orçamento não só do governo federal, com as escandalosas e inconstitucionais emendas impositivas que, ao arrepio da Constituição Federal, se transformaram um mega orçamento de R$ 60 bilhões eivado de corrupção.

A ascensão da extrema direita também direcionou recursos para forças policiais sem pesquisa, sem qualquer eficiência, sem resultado prático, drenando dinheiro público pelo ralo da incompetência. Uma grande farsa eleitoreira para enganar a população, comprovado por levantamentos estatísticos.

O Amapá, terra do presidente do Senado, David Alcolumbre (união brasil), distorceu tanto o orçamento que os recursos para forças policiais chegou a ser 91 vezes o valor investido em Ciência e Tecnologia no estado. É um escândalo administrativo e uma receita perfeita para inviabilizar o futuro do país. “Isso num estado que tem bioeconomia como prioridade declarada de governo”, anotou o pesquisador João Gabriel de Araujo Oliveira, da UnB.

No Amapá, um estado com menos de 900 mil habitantes, as forças policiais e de segurança abocanham R$ 1 bilhão por ano do orçamento.

Enquanto o órgão de Ciência e Tecnologia do estado teve um crescimento de receita de menos de 20%, no mesmo período o dinheiro para segurança cresceu 131%. Esses números vêm das Leis Orçamentárias Anuais (LOAs).

Ao mesmo tempo, o Amapá não conseguiu reduzir a violência, assim como outros estados que aumentaram os recursos para a Polícia Militar. A violência é persistente em Macapá e nas regiões de fronteira, apesar de verbas específicas para essas áreas. O Amapá registrou, em 2024, uma taxa de 45,7 mortes violentas por 100 mil habitantes, ficando mais que o dobro da média nacional.

A violência tem um perfil concentrado nos jovens. Na faixa etária de 15 a 29 anos, o Amapá atingiu a taxa de 114,7 mortes por 100 mil habitantes, a maior do Brasil. Estudos do Ipea apontam que a expansão de facções criminosas, atividades de garimpo ilegal na região e conflitos fundiários impulsionam a violência e as taxas na capital.

Essa distorção orçamentária acontece dentro da própria política. No Amapá, a Polícia Militar recebe 44% do orçamento de segurança. A POLITEC — responsável por toda a perícia forense do estado — recebe 5,4%. A proporção entre policiamento ostensivo e investigação criminal é de aproximadamente oito para um. Criminologistas chamam isso de contenção militarizada: privilegiar a presença fardada e visível em vez da investigação eficaz. O problema é que a evidência internacional aponta na direção oposta: o que reduz homicídios não é densidade policial, mas taxa de elucidação, capacidade forense e investimento social, anotou o pesquisador.


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