
Mais um político aliado de Flávio Bolsonaro (PL) é investigado por organização criminosa. Desta vez o alvo foi Márcio Canella (União Brasil) e ex-prefeito de Belford Roxo, que é investigado sobre suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis no Rio de Janeiro. O político havia sido indicado pelo senador bolsonarista, pré-candidato à Presidência, para disputar uma vaga ao Senado pelo estado, segundo a Folha de São Paulo.
Flávio Bolsonaro já tem vários aliados políticos presos. Rodrigo Bacellar, ex- presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso sob a acusação de atuar como o braço político e liderar um núcleo ligado ao Comando Vermelho. Investigadores apontam que ele vazava informações sobre mandados de prisão. Em julho de 2026, ele teve um novo mandado expedido e foi transferido para um presídio de segurança máxima.
Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, foi preso pela PF sob a acusação de negociar vantagens indevidas e vender influência política para favorecer o tráfico internacional de drogas.
Já Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor, foi preso nas mesmas operações que miram a rede de influência política ligada a facções e esquemas ilícitos no estado.
Márcio Poncio, pastor e empresário do ramo do tabaco, foi preso na deflagração da Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e envolvimento com a “máfia dos cigarros” e o jogo do bicho.TH Joias: O ex-vereador e empresário também foi detido por suas conexões financeiras e logísticas com as redes criminosas investigadas.
Agora Canella que é um dos principais nomes da articulação eleitoral de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. A ação da PF colocou o aliado do senador no centro da sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura a suspeita de atuação de uma organização criminosa com possível participação de agentes públicos e uso de postos de combustíveis para lavar dinheiro.
A operação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a Polícia Federal cumpre, neste dia 7 de julho ,19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
Além de Canella, também é alvo da ofensiva o delegado Marcus Amin, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro durante a gestão de Cláudio Castro (PL). A investigação mira suspeitas de contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros possíveis crimes que poderão surgir no decorrer das apurações.
Segundo a Polícia Federal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Os investigadores apuram se parte desses recursos passou por estruturas ligadas a postos de combustíveis usadas para ocultar a origem do dinheiro.
A condição de Canella como aliado de Flávio Bolsonaro dá dimensão política à operação. O ex-prefeito de Belford Roxo foi apresentado pelo senador como opção para a disputa ao Senado em 2026, em uma composição voltada a fortalecer o campo bolsonarista no Rio de Janeiro.
Canella já havia sido citado em reportagens anteriores da Folha de São Paulo por decisões tomadas durante sua passagem pela prefeitura de Belford Roxo. Segundo o jornal, ele nomeou dois condenados por práticas de milícia para cargos de secretários municipais na cidade da Baixada Fluminense. A ligação com milícias também está na ficha corrida de Flávio Bolsonaro.
A nova fase da Operação Unha e Carne aprofunda a investigação sobre a suspeita de que postos de combustíveis no Rio tenham sido usados para movimentar e lavar recursos bilionários. Com Canella entre os alvos, a apuração atinge diretamente um nome escolhido por Flávio Bolsonaro para compor sua estratégia eleitoral no estado. (Com informações do 247)
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