.Por Susiana Drapeaux.

Parte da esquerda, e principalmente os sindicatos urbanos de trabalhadores, não entende o significado e a importância do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Mas um dos maiores linguistas do mundo, Noam Chomsky, parece entender. Certa vez disse que o MST é “o maior e mais importante movimento social do mundo”.

(reprodução internet)

O MST pode ser isso por vários motivos, mas o principal talvez seja o que promove uma verdadeira revolução no legado marxista.

O MST redesenha os modos de produção, algo que os sindicatos urbanos, que durante muito tempo, tiveram bons recursos para fazer, não fizeram. Não conseguem fazer, temem fazer. Parecem assombrados pela revolução de 1917.

Os sindicatos continuam cegos para a revolução que se iniciou dentro do MST. Amarrados a uma consciência de classe limitada à esfera política, os sindicatos se tornaram incapazes de construir uma nova sociedade que é germinada no MST, em cooperativa, em fundações, em novas formas que alteram e interferem no modo de produção capitalista.

O ódio da extrema-direita ao MST é exatamente esse: a capacidade do MST de transformar o conceito de consciência de classe; a capacidade de se metamorfosear em controladores dos modos de produção pela infraestrutura econômica.

Enquanto os sindicatos ficaram presos à transformação política pela via da democracia liberal, o MST trilhou um outro caminho, o da política como consciência de produção material, associado e engendrado na economia social.

O que falta aos realistas é tirar o chapéu ao MST ou talvez vestir esse boné para entender e copiar a revolução.