Pesquisa em universidade pública busca bioextrator para substituir o mercúrio no garimpo

Pau-de-balsa (foto maurel behling – embrapa)

Um estudo que envolve universidades públicas brasileiras e a Embrapa busca desenvolver uma substância extraída de planta que possa substituir o uso do mercúrio no garimpo e ser menos contaminante do que o metal para o meio ambiente. O estudo, coordenado pela Embrapa, tem a participação da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além da Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe).

Reportagem de Manuela Bergamim e Kátia Pichelli, da Embrapa, diz que pesquisa realizada no Brasil mostrou que bioextratores obtidos a partir de folhas de pau-de-balsa (Ochroma pyramidale), árvore nativa da Amazônia, podem ser uma alternativa viável e sustentável para a extração de ouro em substituição ao mercúrio. “Agora, uma nova etapa vai estudar quais formulações de bioextratores podem ser competitivas com o mercúrio tanto no processo de extração quanto na redução do impacto na saúde de trabalhadores e no meio ambiente. As folhas de pau-de-balsa já são usadas de forma artesanal na região de Chocó, na Colômbia, com essa finalidade”.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Marina Morales, responsável pela condução dos estudos, o objetivo é produzir um bioextrator atóxico, competitivo com o mercúrio e para isso vai se verificar a eficiência da substância e também obter análises de toxicidade e citotoxicidade. Os resultados devem ser apresentados até o início de 2025. Para o garimpo, a substituição do mercúrio por um produto sustentável também deve baratear o processo de extração.

O texto também lembra que o mercúrio, ao ser inalado ou consumido, tem ação cumulativa no corpo humano e traz sérios riscos à saúde e ao ambiente, como pôde ser visto recentemente na destruição provocada pelo garimpo ilegal na terra indígena Yanomami.

“No ser humano, o acúmulo pode levar à síndrome neurodegenerativa, por envenenamento, chamada de doença de Minamata. Durante muitos anos, na década de 1950, no Japão, uma fábrica jogava seus dejetos na baía de Minamata, o que causou a contaminação de peixes, frutos do mar, gatos e seres humanos. Entre os sintomas, estão a dificuldade de coordenação das mãos e dos pés, distúrbios da fala e dificuldades de equilíbrio. A doença causou a morte de 2 mil pessoas e deixou outras milhares com sequelas. Diante disso, foi criada, em 2013, a Convenção de Minamata, da qual o Brasil se tornou signatário em 2017. Composta por 140 países, a Convenção de Minamata tem sua origem no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e visa reduzir as emissões e eliminar o uso de mercúrio, a fim de proteger a saúde humana e o meio ambiente”.

Além de substituir o mercúrio, em uma etapa posterior, a pesquisa também vai trabalhar com o sistema de produção do pau-de-balsa, já que essa espécie florestal é uma alternativa para a recuperação de áreas degradadas nos próprios garimpos.

Carta Campinas

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