.Por Susiana Drapeau.

Uma CPI para investigar a facada contra Bolsonaro em 6 de setembro de 2018 (véspera do 7 de setembro!!), em plena campanha presidencial, deveria ser o principal alvo de mobilização das forças democráticas. Esse talvez seja o calcanhar de Aquiles do governo.

(imagem detalhe – arte- lulacombr)

O esclarecimento desse fato histórico, de uma vez por todas, tem grande chance de realmente tirar do cargo o presidente mais autoritário e mais mentiroso desde a redemocratização.

Com a dificuldade de aprovar o impeachment, a investigação da facada pode levar Bolsonaro à renúncia em pouco tempo, dependendo do que aparecer.

Na semana passada, o jornalista Joaquim Carvalho e a TV 247 publicaram um documentário devastador que mostra inúmeras provas e indícios de que há muita coisa a ser explicada. Mas será que precisaria do documentário para suspeitar de uma farsa? Todo investigador policial sabe que é preciso montar um quebra-cabeça e que muitas peças não ligadas ao crime são fundamentais para seu esclarecimento.

Na realidade, o documentário é a pá de cal na suspeita que sempre existiu. Qualquer bom jornalista, de qualquer lugar do mundo, sentiria que ali há uma grande reportagem a ser investigada. As dúvidas são infinitas. A relação dos advogados com Adélio é escandalosa e outros inúmeros pontos que não se ligam.

Mas não precisaria do documentário para se abrir uma CPI e investigar esse caso. Basta ver o próprio histórico da forma como Bolsonaro faz política.

Um relatório da Organização Internacional Artigo 19 revelou que apenas em 2020, Bolsonaro deu 1.682 declarações falsas ou enganosas. Uma média de 4.6 mentiras por dia. Outras análises realizadas no Brasil expõem a mentira como método de governo. Em 896 dias de governo, Bolsonaro havia dado 3151 declarações falsas ou distorcidas. Ema média de quase quatro mentiras por dia. O rei da mentira e sua fábrica de fake news não param.

Ontem, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou que devolveu ao Executivo a Medida Provisória (MP) 1068/2021, que favorecia a divulgação de mentiras e dificultava a retirada das redes sociais. Ou seja, o próprio governo quer legalizar a mentira como forma de política. O próprio Bolsonaro declarou que é mentiroso em cerimônia oficial. Pasmem!!

Em síntese: Bolsonaro diz que é mentiroso, Bolsonaro edita MP para promover a mentira oficialmente, a campanha de Bolsonaro foi repleta de fake news e mentiras no Whatsapp, mas tem “jornalista” quem acha um absurdo fazer uma grande investigação sobre a suposta facada do Adélio.

PS: Aliás, Adélio, que compartilhava das mesmas ideias autoritárias de Bolsonaro e se filiou ao PSD, tinha dinheiro para comprar uma arma, fez curso de tiro, treinou tiro e depois deve ter pensado: “acho que vou usar uma faca”. (Com informações da Ag Senado e IL)