Vereador de Campinas é ameaçado por ser contra transformar escola pública em quartel

O vereador Gustavo Petta (PCdoB) sofreu ameaças por redes sociais por ser contra o projeto de cabide de empregos do governo Bolsonaro (PSL) que quer transformar as escolas públicas em quartel. O vereador afirmou na tribuna da Câmara de Campinas, nesta quarta-feira, 23, que vai acionar judicialmente os ameaçadores. (Veja vídeo ao final).

Petta e Catarina de Almeida (foto henrique brazão – div)

Gustavo Petta também divulgou que, juntamente com instituições da sociedade civil, deve entrar no Ministério Público contra a implementação de escola chamada cívico-militar em Campinas.

O projeto (link) cria um cabide emprego de quase mil cargos, muitos sem qualquer qualificação pedagógica.

A ideia de acionar o MP surgiu em debate realizado pela Comissão de Educação e Esporte da Câmara Municipal sobre a implantação dessas escolas e que reuniu professores, educadores, gestores, psicólogos e estudiosos sobre militarização das escolas.

“Já há uma resolução do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais contra esse projeto questionando a legalidade na gestão democrática e o princípio da reserva legal e a contrariedade com a LDB (Lei de Diretrizes e Base) e o PNE (Plano Nacional de Educação)”, disse Petta. O grupo também irá fazer um manifesto em busca de apoio amplo para ser entregue ao governo municipal.

O surgimento de escolas cívico-militares é uma criação do governo federal anunciado esse ano pelo Ministério da Educação. No último mês, o prefeito Jonas Donizette (PSB) surpreendeu a cidade com a inclusão de Campinas entre os municípios interessados em receber o programa.

Para a professora da Universidade de Brasília e membro da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, é necessário distinguir os tipos de escolas com militares na gestão.

As escolas militares são geridas pelas Forças Armadas e com recursos próprios dessas instituições. Já as escolas estaduais militarizadas, são escolas públicas, de ensino fundamental e médio, que tiveram as gestões transferidas para instituições militares, como a Polícia Militar. O modelo tem sido amplamente usado em estados como Goiás e Amazonas.

No Amazonas, há mais de 120 denúncias no Ministério Público por causa de abusos cometidos nessas escolas militarizadas. (LINK)

Já o conceito de escolas cívico-militar é novo e criado pelo governo Bolsonaro. “O governo não está fazendo a proposta de criar uma escola militar. A proposta é de pegar a escola pública e militarizá-la”, alertou a professora. Para ela, a militarização da escola pública é antidemocrática. “Se o governo quisesse colocar uma escola militar em Campinas com verba do exército vai pra lá quem quer, mas escola pública é escola de todos, inclusive de quem quer ser militar ou outra profissão. Ela não pode se transformar em um quartel porque ela deixa de ser de todos e você apaga a identidade das pessoas nessas escolas”.

https://cartacampinas.com.br/2019/10/diretor-de-colegio-militar-em-goias-e-afastado-apos-revista-em-adolescente-nua/

A professora Débora Mazza, da Faculdade de Educação da Unicamp, destacou que a escola tem uma função social específica na sociedade e que a escola pública gerida pelo Estado é “laica para todos e deve operar de modo concomitante e não concorrencial com outras instituições importantes, como a família, mundo privado, religião e segurança”.

Já a professora Daniela Zanchetta, do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, questionou sobre denúncias de assédio moral e sexual em escolas públicas militarizadas. “[Se ocorrer nas cívico-militar] Quem é que vai questionar? Vão apurar seriamente contra a corporação respeitando a hierarquia? Será que as pessoas vão mesmo denunciar esses crimes de assédio?”

Participaram da mesa de debate o diretor da União Campineira de Estudantes Secundaristas Nattan Rocha, a presidente do Fórum Municipal de Educação Solange Pozzutto, o sub-coordenador do Conselho Regional de Psicologia Gamaliel Vicente Rodrigues, e os vereadores Mariana Conti (PSOL) e Pedro Tourinho (PT).

Já a estudante do Instituto de Artes da Unicamp, Ester Moraes, questionou qual o público-alvo para a implantação das escolas cívico-militar. “É um projeto para a classe trabalhadora, para as crianças de periferia. Dentro desse projeto de autoritarismo, fica claro que o filho da classe média não irá estudar numa escola desse modelo. Estamos há anos lutando para que o jovem de periferia ocupasse a universidade. Esse projeto são anos de retrocesso”.

O debate teve também como convidados o Ministério da Educação e a Secretaria Municipal de Educação que não enviaram representantes para que pudessem expôr como será a implantação do projeto e como será feito em Campinas.

Veja vídeo:

Recent Posts

Vini de Oliveira, da direita, é condenado por fake news contra flotilha e vereadora

(foto global sumud flotilla) A Justiça condenou o vereador de Campinas Vini de Oliveira (Cidadania)…

10 hours ago

Educadores podem inscrever projetos que fortalecem o diálogo nas escolas até o dia 30 de abril

Professora e intérprete de Libras Michelle Gonçalves Dinamarco, vencedora do concurso em 2025 (imagem divulgação)…

12 hours ago

Coletivo de fortalecimento feminino na literatura marca presença no Flipoços 2026

(imagem divulgação) Coletivo de fortalecimento feminino através da literatura marca presença no Flipoços 2026 com…

12 hours ago

Projeto quer a população na gestão e decisões sobre parques e áreas verdes de Campinas

Bosque dos Jequitibás (foto rogério capela - arquivo pmc) Um Projeto de Lei Ordinária (PLO)…

13 hours ago

Bolsonarinho 01 tem plano de congelar investimentos em educação e saúde da população

(foto pedro frança - senado federal) O Bolsonarinho 01 (PL) , o filho mais velho…

16 hours ago

Casa do Sol abre as portas para a terceira edição das Hilstianas; confira a programação

(foto nina pires - divulgação) A Casa do Sol, em Campinas, se transforma novamente em…

17 hours ago