No Brasil dos juízes com salário milionário, metade da população não tem saneamento básico

No país em que juízes e membros do Ministério Público recebem auxílio-moradia e salários que extrapolam o teto estabelecido pela própria Constituição, a lei máxima, quase metade da população não tem sequer saneamento básico. Isto não é mera coincidência, mas a íntima relação da estrutura de poder que mantém a desigualdade em níveis alarmantes no Brasil.

Para tentar chamar a atenção para a falta de saneamento básico no país dos juízes milionários, mais de 30 organizações que atuam no setor de água e esgoto lançaram Campanha Somos Mais Saneamento, com o objetivo de engajar a sociedade na melhoria do saneamento no Brasil.

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O porta-voz do movimento, Alexandre Ferreira Lopes, presidente do Sindicato Nacional de Concessionárias Privadas de Água e Esgoto (Sindcon) destacou que quase metade da população não tem o serviço de água e esgotamento sanitário. “A população cobrando faz com que esse assunto entre mais forte na pauta e os investimentos aconteçam”.

 

De acordo com o Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas, divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades em setembro do ano passado, 45% da população ainda não têm acesso a serviço adequado de esgoto.

A campanha será levada ao debate durante o 8º Fórum Mundial da Água, que ocorrerá entre 18 e 23 de março, em Brasília. A campanha será divulgada nas redes sociais, por meio de folhetos informativos, além de uma página na internet.

Alexandre Ferreira Flores destaca que se não forem tomadas novas medidas, dificilmente o Brasil conseguirá alcançar a universalização do serviço até 2033, conforme prevê o Plano Nacional de Saneamento Básico.

 

Conforme o atlas, divulgado em 2017, na maioria dos municípios (4.288) o serviço de coleta e tratamento de esgoto é prestado pela própria prefeitura ou há um prestador que precisa aprimorar a capacidade de gestão. E 2.981 municípios têm delegado os serviços de saneamento (forma indireta), sendo que cerca de 50% deles têm coleta e tratamento de esgotos, alcançando pelo menos 10% dos habitantes. Por outro lado, 2.589 municípios não têm prestador de serviço, e apenas 5% desse grupo oferecem tratamento coletivo de esgoto. (Carta Campinas/Agência Brasil)

 

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