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Investigação PF no caso BolsoMaster tem viés político em conluio com a mídia

Nassif: Polícia Federal, a um passo de se tornar polícia política

Se não for detida pelas forças democráticas, a PF caminha para se tornar cópia tropical da Gestapo, da KGB da URSS, e do Mosssad, de Israel.

Não há espaço para dúvidas. A campanha contra o Supremo Tribunal Federal, focada nos desvios de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, em agora, contra o presidente Lula, alimentada por vazamentos de informações, é de responsabilidade direta da Polícia Federal.

Há dois tipos de jornalismo investigativo.

O mais nobre é o do repórter que sai atrás da notícia, junta fatos, contextualiza, raciocina, junta pontas soltas para estruturar a denúncia.

O segundo tipo é o chamado jornalismo-sela, o que se deixa cavalgar pela fonte. É o canal de transmissão de vazamentos, recebendo as informações de forma passiva e dando o recado que a fonte quer.

O jornalismo investigativo, hoje em dia, está restrito a canais alternativos. A mídia corporativa recorre exclusivamente ao jornalismo-sela, que é de efeito mais imediato e bem recebido pelo público que ela passou a cultivar, próximo ao público das redes sociais.

Todas as reportagens que alimentaram a volta da Lava Jato 2 nasceram nas investigações da PF. E eram vazamentos com lado definido. Apesar da multidão de suspeitos envolvidos nas operações, os vazamentos obedeceram a uma estratégia pré-definida, que venho apontando há semanas:

  1. Tirar da linha de frente dois poderes que poderiam impor limites aos abusos: o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República.
  2. Definir claramente suas alianças, de ataque ao governo Lula, deixando de lado as dezenas de políticos ligados ao Centrão e transmudando o caso Master em uma obra das esquerdas.

Tudo isso é obra de um grupo político, articulado no seio da PF e evitando personalizar os principais atores. Aprendendo, aliás, a lição da Lava Jato, cujos delegados se julgavam estrelas do show.

Os conflitos na PF

Se ainda houver jornalismo neste país, o foco das investigações deve ser a PF e seu jogo interno de poderes.

Há divisões históricas dentro da PF, especialmente entre delegados e policiais legalistas e os golpistas, cujo ato clássico foi a Lava Jato.

Ao longo do tempo, as tensões internas costumam ocorrer em três eixos:

  1. Investigação midiática × investigação silenciosa

Debate clássico:

operações com grande exposição pública
versus
investigações discretas.
2 Autonomia corporativa × controle institucional

Discussão sobre:

independência da PF
controle do Ministério da Justiça
relação com o STF e o MP.
3 Corrupção política × crime organizado

Disputa sobre prioridade:

combate à corrupção política
ou
combate a facções e tráfico.

A corrente lavajatista da PF surgiu a partir do caso Banestado e da cooperação íntima com, o DHS, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Com seus colegas procuradores, assimilaram os métodos do DHS e foram nos alvos indicados: grandes empresas brasileiras com penetração internacional. Foram cúmplices da intervenção americana na Embraer, JBS, Petrobras e Eletrobras, através de grandes escritórios de advocacia americanos, com acesso total aos dados brasileiros.

São claramente anti-pátria.

A estrutura da PF

Hoje em dia, tem-se um grupo articulado, à frente do caso Master, responsável pelos vazamentos, em conluio (atenção: a palavra é conluio) com o Ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

André impediu o compartilhamento de informações com a direção geral da PF e conta com a inacreditável inação do PGR.

A ação desses vazadores compromete setores sérios da PF, mas que não reagem devido à aliança com os grandes grupos de mídia.

Vamos entender melhor esse jogo.

A estrutura principal da PF funciona assim:

As 3 diretorias centrais, com influência direta nas investigações, são 

  • a Diretoria de Investigação ao Crime Organizada (DICOR), dirigida pelo delegado Dennis Calil.
  • a Diretoria de Inteligência Policial (DIP), dirigido por Leandro Almada da Costa.
  • a Diretoria Técnico-Científica, dirigida por Roberto Reis.

Todas elas estão subordinadas à Diretoria Executiva, dirigida por William Marcel Murad, que responde à Diretoria Geral, de Andrei Rodrigues.

Recentemente, houve a substituição da Diretoria Executiva, que estava sob comando de Carlos Henrique Oliveira de Souza, que marcou uma espécie de armistício entre a Associação dos Delegados dia Polícia Federal e o governo Jair Bolsonaro, tendo sido indicado por Bolsonaro para a Direx.

A Diretoria mais no foco é da DICOR, de Denis Calil. Sua estrutura é a seguinte:

Coube ao DICOR assumir as investigações do caso Marielle, e conseguir o feito de não investigar nenhum membro da família Bolsonaro.

O jogo do sobra um

Tem-se, portanto, um jogo de baralho completo, o jogo do sobra um.

A possibilidade maior é que os vazamentos sejam de responsabilidade de apenas uma das diretorias. Mas afeta igualmente a imagem dos demais e, mais do que isso, a imagem da Diretoria Executiva e do Diretor Geral.

Se não for detida, pelas forças democráticas internas, a PF caminha para se tornar uma cópia tropical da Gestapo alemã, da KGB da União Soviética, da Stasi, da Alemanha Oriental, da Savak, do Irã, e do Mosssad, de Israel.

PS – A nota de Lauro Jardim, de que o Ministro André Mendonça está incomodado com os vazamentos do celular de Vorcaro é candidata favorita ao prêmio “hipocrisia do ano”.

E a chamada de que a delação de Vorcaro deve ser negociada com a PF e não a PGR, segundo os advogados de Vorcaro, é a candidato ao prêmio “bandeira do ano”. Fica nítido que a PF já avançou com os advogados o padrão de delação lavajatista: diga o que eu quero, que lhe dou o que você quer”. (Luís Nassif, Do GGN)

Carta Campinas

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