Por Regis Mesquita
Concordo que o transporte público deve ter tarifa zero. Ou seja, ser gratuito. Todavia, existem barreiras urbanísticas que devem ser superadas para que seja viável.
No início do texto reproduzi, como exemplo, o mapa da área urbana de Atlanta nos EUA e de Barcelona na Espanha. O transporte público em Barcelona é eficiente e em Atlanta é muito ruim. Observe o tamanho da área de cada uma das cidades.
A área urbana de Atlanta é doze vezes maior, o número de habitantes é semelhante. Isto significa mais ruas para serem cuidadas, mais rede de água e esgoto, mais distância o caminhão de lixo tem que percorrer para recolher as mesmas quantidades de lixo, etc. Ou seja, o custo de manutenção dos serviços públicos é muito maior.
Uma linha de ônibus deve ser muito mais longa para atender o mesmo número de pessoas. Isto significa que aumenta muito o custo por quilômetro. Abaixo reproduzo outras consequências deste modelo de cidade:
“ele aumenta a superfície ocupada pela cidade (mancha urbana) e, consequentemente, exige um crescimento na demanda de viagens de cada habitante. Este processo acarreta uma série de custos econômicos: maior infraestrutura urbana (vias, energia, saneamento), maior dependência do transporte individual, saúde, etc… Estas características fazem da cidade espraiada um modelo socialmente regressivo. Além disso, a utilização mais intensa do carro faz com que os setores mais espraiados das cidades norte-americanas apresentem índices de mortes no trânsito até cinco vezes maiores do que em áreas urbanas multifuncionais, com maior densidade populacional e bem servidas de transporte público. Estas últimas são definidas pelo estudo como Cidades de Crescimento Inteligente.”
“Carro produz outros problemas. O automóvel é voraz consumidor de espaço. Cada veículo nos EUA ocupa entre 100 e 200 m² do espaço urbano (vias + estacionamento), muito mais do que qualquer outro modal de transporte. As bicicletas, por exemplo, ocupam cerca de 10 m² (ciclovias + bicicletários). Carros também consomem o dinheiro de seus proprietários. Estima-se que cada veículo consuma entre 20 e 50 centavos de dólar/km, relativos a custos de sua manutenção e uso, e de 20 a 60 centavos de dólar/km de custos indiretos, como engarrafamentos, poluição sonora, do ar, da água, dentre outros. Se você usa mais o carro, você consome mais combustível e, portanto, emite mais poluentes.”
“A cidade rodoviarista favorece o sedentarismo. Isto faz com que a taxa de obesidade possa dobrar em relação à áreas onde o caminhar é incentivado.”
“Cidades mais densas, com bairros multiuso e abundância de transporte de qualidade são condição sine qua non para resolvermos nossos graves problemas sociais e ambientais.”
(Fonte: Custo ambiental do modelo urbano rodoviarista alcança U$ 1 tri nos EUA )
As cidades brasileiras seguem o exemplo das cidades americanas; com o agravante de que temos menos dinheiro para mantê-las e melhorá-las. Campinas, com mais de um milhão de habitantes, possui bairros que ficam a mais de 20 quilômetros do centro da cidade. Esta distância praticamente inviabiliza a construção de metrô. Encarece o custo do transporte por ônibus e torna-o tão demorado que o desejo das pessoas é comprar carro para ter transporte mais rápido, confortável e mais autonomia pessoal.
Impedir a criação de novas avenidas, tornar muito caro a manutenção de terrenos vazios e incentivar a verticalização (prédios) de áreas próximas ao centro da cidade é requisito fundamental para melhorar o transporte público, barateando-o.
O grande desafio de qualidade de vida nas grandes e médias cidades é mudar o modelo de crescimento das cidades.
Processo semelhante tem que acontecer nas escolas, creches e postos de saúde. Quem já entrou em uma sala de aula às 11h da manhã e enfrentou um calor de mais de 40 graus sabe que o aprendizado diminui muito. Estas escolas foram feitas sem a menor preocupação com isolamento térmico e acústico. Foram construídas para serem depósitos de crianças e não para ser espaço saudável de reflexão e interação social.
Os desafios do Brasil atualmente são menos de quantidade e mais de qualidade. A arquitetura e o urbanismo possuem importância central nesta mudança de patamar ecológico que nossa pátria necessita.
Dica de leitura: Nossas cidades, assim como nós, precisam mudar. Saiba como são as ciclovias nas cidades da Dinamarca e da Suécia
Regis Mesquita é psicólogo e autor do Blog Psicologia Racional – http://www.psicologiaracional.com.br/
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