
Estudantes indígenas da Unicamp realizam nesta sexta-feira, dia 6 de novembro, às 10h, no Ciclo Básico, no campus de Campinas, um ato de protesto contra episódios de violência política, racismo e intimidação registrados após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A mobilização é organizada pelo Coletivo dos Acadêmicos Indígenas da Unicamp, em resposta às denúncias de agressões e ameaças sofridas por estudantes indígenas no campus de Limeira.
O protesto busca reunir estudantes, docentes, trabalhadores da Universidade, movimentos sociais e entidades representativas para cobrar providências da administração universitária, a apuração dos episódios denunciados e a adoção de medidas efetivas de segurança e proteção à comunidade indígena.
Em nota pública, ADunicamp repudiou a escalada de violência contra os povos indígenas e exigiu investigação e responsabilização dos envolvidos.
As denúncias foram apresentadas pelo próprio coletivo, que reúne estudantes da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Tecnologia (FT), ambas localizadas em Limeira. Em manifesto público, os estudantes relacionaram os episódios ao ambiente de acirramento político após o resultado das eleições presidenciais e reivindicaram uma resposta imediata da Reitoria.
Entre as principais reivindicações estão o reforço da segurança nos arredores das unidades universitárias de Limeira e o aprimoramento dos mecanismos institucionais de acolhimento, proteção e registro de denúncias de violência política e discriminação étnico-racial.
O coletivo também ressalta que divergências políticas e eleitorais não podem justificar agressões, ameaças ou tentativas de intimidação. Para os estudantes, a garantia de um ambiente universitário democrático pressupõe o respeito à diversidade, à integridade física e ao direito de permanência dos povos indígenas no ensino superior.
ADunicamp repudia violência e exige providências
Em nota pública divulgada em 29 de outubro, a ADunicamp manifestou seu mais veemente repúdio à escalada de violência política, racismo e intimidação contra os povos indígenas no Brasil após o segundo turno das eleições presidenciais.
A entidade denunciou a gravidade dos episódios registrados em diferentes regiões do país, incluindo ameaças de morte, agressões, atropelamentos e denúncias de possível envenenamento da água que abastece comunidades indígenas.
Segundo informações do governo federal citadas na nota, até 28 de outubro haviam sido contabilizados 45 episódios de violência política, incluindo dez homicídios, três deles com vítimas indígenas.
Para a ADunicamp, a violência contra os povos originários não pode ser naturalizada ou tratada como consequência aceitável das disputas eleitorais.
“A violência contra os povos originários não pode ser naturalizada, relativizada ou tratada como consequência aceitável de disputas eleitorais. Ameaçar comunidades, atacar seus direitos e colocar em risco suas vidas é incompatível com a democracia e com os princípios mais elementares de dignidade humana”, afirma a nota.
A entidade também destaca a importância da presença indígena na universidade pública. Atualmente, a Unicamp conta com mais de 500 estudantes indígenas, pertencentes a aproximadamente 60 povos diferentes, resultado das políticas de inclusão e democratização do acesso ao ensino superior.
No documento, a ADunicamp exige a apuração rigorosa e transparente das denúncias, a identificação e responsabilização dos autores, além da adoção de medidas preventivas para impedir novas ocorrências de violência política e racismo.
“Reafirmamos que não há democracia onde o resultado das urnas serve de pretexto para perseguir, ameaçar ou matar. Não há justiça social sem o reconhecimento dos direitos dos povos originários, sem a proteção de seus territórios e sem o enfrentamento do racismo”, conclui a manifestação.
O STU também expressou apoio e solidariedade aos indígenas
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) também manifestou publicamente sua irrestrita solidariedade e apoio aos povos indígenas de todo o Brasil que vêm enfrentando graves episódios de violência, intimidação e perda de vidas por exercerem seu direito democrático de posicionamento no segundo turno das eleições.
“Manifestamos também nossa inteira solidariedade aos estudantes indígenas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que foram vítimas de violência e agressões físicas e psicológicas, em Limeira, quando regressavam da faculdade. Exigimos que a Administração da Unicamp apure os fatos e proteja os estudantes indígenas, proporcionando acolhimento e segurança. A universidade tem o dever de se posicionar contra qualquer tipo de discriminação, preconceito ou intolerância”, anotou o sindicato.
O STU exigiu rigor e celeridade das autoridades competentes para que todos os atos de violência sejam devidamente apurados e os responsáveis punidos nos termos da lei. “Não aceitaremos a naturalização do ódio e da violência. É inadmissível que a livre manifestação política resulte em ameaça à vida e à integridade física das populações originárias e dos estudantes. Reafirmamos nosso compromisso intransigente com a construção de um país soberano, verdadeiramente democrático e que preze pelas relações humanas, pela justiça social e pela cultura da paz.”
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