Trabalhadores precisam rever dependência eleitoral e construir novas formas de ação

(imagem divulgação mst)

Após o primeiro turno das eleições presidenciais e parlamentares do Brasil em 2026 não cabe espaço para ilusões. É preciso encarar a realidade. A dependência da população desfavorecida na democracia representativa tem levado a vitórias instáveis que amargam derrotas subsequentes.

Mesmo que haja uma reviravolta pouco provável, com virada de Lula no segundo turno, é necessário admitir que a extrema direita dominará o parlamento brasileiro. E mais do que isso, vai dominar o Supremo Tribunal Federal com 4 indicações, podendo inclusive promover o impeachment de juízes que não votarem de acordo com seus interesses e acobertando as falcatruas.

Talvez seja hora de uma reflexão mais profunda sobre o papel da esquerda como convidada de um sistema controlado pelo poder econômico. É preciso recalcular a economia eleitoral e construir novas formas de relações que sejam independentes do sistema representativo ou que sejam interdependentes.

É preciso se reinventar e não se limitar a uma dependência exclusiva do sistema eleitoral e lideranças. Não é todo dia que nasce um Lula. Para isso, precisará se organizar não só no sistema de ideias, na chamada superestrutura política, mas na representatividade econômica.

É preciso rever o caminho exclusivo eleitoral e construir relações econômicas na base infraestrutural da sociedade. O caminho percorrido nos últimos dois séculos, focado exclusivamente na luta dos trabalhadores por meio de partidos políticos mostrou não só suas limitações, mas um esgotamento.

Isso não significa renunciar a luta política eleitoral, que é importante e necessária, principalmente para uma esquerda democrática. O que não é mais possível fazer é ficar refém do sistema eleitoral para que haja conquistas sociais e de justiça para a população mais marginalizada. É preciso criar laços econômicos, além da representatividade, do carisma e da capacidade das lideranças.

É preciso criar novas formas de relações e não há como escapar das relações de produção, ainda que isso seja penoso e demore décadas para dar resultados. Mas parece que não há escapatória.

As cooperativas dos trabalhadores sem terra deveriam não só serem admiradas por setores da esquerda, como são, e também não só serem vistas como modos de sobrevivência e produção de mercadorias. É preciso ter um outro olhar sobre a produção cooperativa, um olhar mais marxista, que encontre nessas infraestruturas a formação de uma consciência política, uma nova consciência de classe, estrutural e orgânica.


Discover more from Carta Campinas

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Comente