
Carlos Gomes não está apenas nos livros de história ou como um mero nome nas placas de praças e instituições. A partir de agora, a relação estreita de Campinas com o compositor também tem um reconhecimento oficial: o Condepacc aprovou nesta quinta-feira (24/9) o registro da obra, do legado musical e das práticas culturais ligadas a Antônio Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial do município.
Nascido em Campinas em 11 de julho de 1836, Carlos Gomes, o Tonico, ganhou projeção internacional como compositor de óperas, mas sua história permaneceu profundamente ligada à cidade. O novo registro considera justamente essa relação que atravessou gerações — e não apenas as partituras deixadas pelo compositor.
Entram no reconhecimento as formas de executar e interpretar sua música, o ensino das obras, a formação de novos músicos, pesquisas, concertos, celebrações e outras iniciativas que mantêm essa produção em circulação. Também fazem parte desse patrimônio os espaços, instituições e referências que ajudam a construir a memória de Carlos Gomes em Campinas.
A decisão do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) foi baseada em estudo e parecer técnico elaborados pela especialista cultural da Secretaria de Cultura e Turismo Marcela Bonetti. A pesquisa identificou um vínculo que, segundo ela, vai muito além da importância histórica do compositor.
“O que me alegrou muito nessa pesquisa foi entender que não só ele é parte da história da formação musical de Campinas no século XIX, mas o quanto é um patrimônio cultural vivo, pulsante, presente na história da cidade e na identidade cultural de Campinas”, afirma Marcela.
Tonico pela cidade
Essa presença pode ser encontrada em diferentes pontos da cidade. O nome de Carlos Gomes está no Museu Carlos Gomes, no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), no Conservatório Carlos Gomes, na Escola Estadual Carlos Gomes, no Centro de Convivência Cultural, na praça e no Monumento-Túmulo dedicados ao compositor, além do bairro e da Estação Carlos Gomes. Ele também é homenageado na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, na Associação Brasileira “Carlos Gomes” de Artistas Líricos (ABAL) e pela Banda Carlos Gomes.
A relação aparece ainda em manifestações que fazem parte da própria identidade de Campinas. Carlos Gomes é autor de “Progresso – Coro Triunfal ao Povo Campineiro”, o Hino Oficial da cidade, e dá nome a praças relacionadas a algumas de suas óperas, como “Salvador Rosa”, “Lo Schiavo”, “Fosca”, “Condor” e “A Noite do Castelo”. A Câmara de Vereadores mantém ainda a Medalha Carlos Gomes, concedida em reconhecimento a pessoas ligadas à cultura e à música.
A memória do compositor também é construída por quem se dedicou a interpretar e estudar sua obra. É o caso da cantora Niza Tank, uma das principais intérpretes de Carlos Gomes, e do pesquisador e escritor Jorge Alves de Lima. Fora do Brasil, a relação com o compositor também aproximou Campinas de Lecco, na Itália, cidade onde ele viveu durante parte de sua trajetória europeia.
Salvaguarda
O reconhecimento como patrimônio imaterial não encerra esse processo. Ao contrário, deverá servir de base para organizar um plano de salvaguarda, reunindo e fortalecendo ações que já acontecem na cidade nas áreas de pesquisa, educação, formação musical e difusão da obra do compositor.
Para a secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, a medida reconhece uma presença que já faz parte da vida da cidade. “Carlos Gomes não é apenas uma personalidade importante da história de Campinas. Ele está presente na música, nos espaços públicos, nas instituições, na formação de artistas e na memória afetiva da população”, afirma.
O reconhecimento acontece justamente em um ano marcado por homenagens ao compositor. Em 2026, Campinas celebra os 190 anos de seu nascimento e os 130 anos de sua morte com concertos, concurso lírico, roteiros históricos, ações educativas e outras atividades.
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