Assembleia em Barão Geraldo debate impactos da instalação de mega data center em Campinas

(foto divulgação)

Movimentos sociais, pesquisadores, representantes políticos e organizações da sociedade civil participam, neste sábado (19), de uma assembleia aberta para discutir os impactos da implantação de um mega data center voltado à inteligência artificial na histórica fazenda Pau d’Alho, em Campinas. O encontro será realizado no Teatro Barracão, em Barão Geraldo, às 10h, e reunirá diferentes setores para debater o projeto e seus efeitos.

Entre os participantes, estão os vereadores Mariana Conti (PSOL), Guida Calixto (PT) e Paolla Miguel (PT) e Wagner Romão (PT), os ativistas Thiago Ávila e Marcela Pankararu, além dos deputados federais Sâmia Bomfim (PSOL) e Pedro Tourinho (PT).

A instalação do empreendimento, o primeiro grande impacto do Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável, o PIDSno distrito e na cidade, foi anunciada em 20 de agosto pelo Managing Director da Actis e CEO interino da Terranova, Mauricio Giusti. Criada em 2025 e controlada pela gestora estrangeira Actis, a Terranova pretende implantar uma estrutura de grande porte para operações de inteligência artificial, com capacidade projetada de até 400 megawatts (MW).

A dimensão do projeto trouxe ao debate questões relacionadas ao consumo de energia e água, à geração de calor, aos ruídos e às possíveis consequências para as áreas vizinhas. Os impactos ambientais, urbanísticos, climáticos e sobre o patrimônio histórico também estão entre os pontos que passaram a ser questionados por representantes da sociedade civil e do poder público.

Inquérito aberto no MP

Nesta semana, o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar os possíveis efeitos do projeto. A investigação foi motivada por representações apresentadas por Mariana Conti e Sâmia Bomfim, do PSOL, Gustavo Petta e Orlando Silva, do PCdoB, e pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema).

A Fazenda Pau d’Alho, fundada há cerca de 230 anos, fica às margens da rodovia Campinas-Mogi e tem seu conjunto arquitetônico tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Ligada a diferentes ciclos produtivos, como o do café, é parte da história de Campinas e do estado.

A assembleia deste sábado ocorre em meio à mobilização de grupos contrários ao projeto. No final de agosto, a Frente Parlamentar pelo Meio Ambiente e de Enfrentamento aos Efeitos das Mudanças Climáticas realizou um debate público na Praça do Coco, em Barão Geraldo, para debater o tema. Manifestos e abaixo-assinados lançados por Mariana Conti e Gustavo Petta alertam para os riscos e defendem a discussão pública sobre a instalação do mega data center.

“Essas estruturas ameaçam gravemente o meio ambiente, causam desmatamento, consomem recursos hídricos, energéticos e produzem grande poluição sonora. Isso vai no sentido oposto das medidas de enfrentamento à crise climática que precisam ser tomadas”, afirma Mariana Conti.

A instalação é vista também como uma forma de neocolonialismo por Gustavo Petta: “A fazenda Pau d’Alho tem origem como latifúndio erguido sobre mão de obra escravizada e concentração de terra nas mãos de barões do café. Hoje, essa lógica assume uma nova forma: grandes extensões de terra, recursos naturais e investimento público passam a servir a grandes grupos econômicos, majoritariamente internacionais, agora sob a forma de servidores e cabos, não mais de cafezais”, aponta no manifesto. “Trocar o latifúndio agrário pelo latifúndio digital reproduz uma lógica colonial de apropriação do território e de suas riquezas sob uma nova roupagem”, acrescenta.

Serviço

Data: 19 de setembro de 2026
Horário: 10h
Local: Teatro Barracão
Endereço: Rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel, Barão Geraldo, Campinas-SP
Abaixo-assinados: https://marianaconti50100.com.br/datacenternao e https://gustavopetta.com.br/datacenter-nao


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