
Novas imagens de reuniões entre o vereador Vini Oliveira (Cidadania) e empresários do transporte foram divulgadas nesta quinta-feira (6) pela vereadora Mariana Conti (PSOL). O material soma mais de uma hora de gravações e, segundo a parlamentar, acrescentam novos elementos às suspeitas que envolvem a atuação do vereador no processo de licitação do transporte coletivo de Campinas.
A vereadora, que é autora da denúncia que deu origem à Comissão Processante (CP) contra Vini, informou que encaminhou as gravações ao colegiado e também ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), após análises técnicas feitas por sua equipe. O material foi entregue ao gabinete da parlamentar na quarta-feira (5) por representantes legais do Correio Popular.
Para Mariana Conti, o conteúdo deve ser incorporado às investigações que apuram a licitação, os subsídios destinados ao sistema de transporte e a conduta do parlamentar. Os vídeos foram divulgados pela vereadora em seu site oficial.
Entre os pontos que, segundo Mariana, chamam a atenção estão a frequência dos encontros de Vini com empresários do setor e conversas que, na avaliação da vereadora, podem indicar tentativa de intermediar interesses privados junto ao poder público. “Há indícios graves de tráfico de influência, de negociação de atuação em prol dos empresários em troca de financiamento para suas campanhas”, afirmou. “É incontestável a seriedade dos vídeos e da relação que Vini demonstra ter com os empresários.”
A divulgação ocorre em meio a uma etapa marcada pela ausência de depoimentos na Comissão Processante. Prevista inicialmente para ouvir oito testemunhas, a CP encerrou a fase de depoimentos na terça-feira (4) sem ouvir nenhuma delas. A defesa de Vini abriu mão do depoimento do parlamentar, alegando que a decisão foi de natureza jurídica, e sustentou que não há no processo provas que relacionem Vini às denúncias. Único a ser ouvido pela CP, por indicação da defesa, o perito em fonética forense Ricardo Molina afirmou que os vídeos que deram origem à denúncia foram manipulados
A Comissão Processante foi criada após a Câmara aprovar por unanimidade, em 1º de junho, a abertura da investigação. A denúncia menciona idas do vereador a uma empresa de transporte, onde teria participado de uma reunião e saído carregando uma caixa preta com envelopes.
O prazo inicial para concluir os trabalhos é de 90 dias após a instauração da Comissão, que pode recomendar o arquivamento do processo ou a cassação do mandato. Caso o relatório final proponha a perda do mandato, a medida dependerá da aprovação de pelo menos dois terços dos 33 vereadores da Câmara de Campinas.
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