Doze anos depois, Carnaval de Campinas voltará a ter desfiles de escolas de samba em 2027

Passistas da Rosa de Prata no Carnaval 2026 (foto firmino piton – pmc)

O Carnaval de Campinas terá novamente desfiles de escolas de samba em 2027. A retomada foi definida nesta segunda-feira (17) em reunião entre a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a Liga das Escolas de Samba de Campinas (Liesca) e representantes da Leões da Vila Padre Anchieta, Rosa de Prata, Estrela D’Alva e Unidos do Shangai.

Programado para o dia 13 de março de 2027 na Avenida Francisco Glicério, no Centro da cidade, o desfile leva novamente às ruas uma tradição interrompida desde 2015. A participação das escolas no Carnaval tem sido nos bairros, de forma isolada. Presidentes das escolas e representante da Liesca destacam que o retorno das escolas juntas em um desfile representa o reconhecimento de uma história construída pelas comunidades, a valorização da cultura popular e a abertura de um novo ciclo para o samba na cidade.

O valor que precisará ser investido para viabilizar os desfiles não foi informado e os recursos não estão garantidos. De acordo com a Prefeitura, virão da mobilização das próprias escolas, com a realização de ações e eventos, e com a busca de apoios. Entre as fontes previstas estão emendas de vereadores de Campinas. Uma das iniciativas é a venda de uma camiseta de apoio às escolas de samba, no valor de R$ 60,00, que pode ser comprada pelo telefone (19) 98212-7164.

Resistência e identidade

Para o presidente da Unidos do Shangai, Messias Souza da Silva, a decisão é resultado de anos de persistência das escolas. “Por muitos anos, as escolas de samba de Campinas mantiveram viva a esperança de voltar à avenida. Foram anos de luta, resistência e amor pelo Carnaval”, afirmou.

A presidente da Leões, Elizeth Campagnuci, ressalta que a retomada também representa a recuperação da credibilidade das escolas de Campinas. Mesmo longe da avenida, ela diz, as agremiações continuaram desenvolvendo projetos, movimentando suas comunidades e demonstrando sua capacidade de organização.

“Voltar à Glicério é uma oportunidade de mostrar para a cidade, para o poder público e para possíveis parceiros que vale a pena acreditar e investir nas nossas escolas. Queremos que 2027 seja não apenas o ano da volta, mas o início de um projeto sólido”, afirmou.

Michel Moraes Furtado, presidente da Estrela D’Alva, destaca que o samba e os desfiles têm o poder de aproximar pessoas, fortalecer vínculos, promover inclusão e transformar vidas por meio da arte, da educação e da convivência. “Estamos resgatando uma história, preservando um legado e dando continuidade a uma trajetória que faz parte da identidade da nossa comunidade”, afirmou.

O presidente da Rosa de Prata, Jorge Camargo, destaca o papel fundamental das comunidades na manutenção da tradição do samba. “A força de uma escola de samba vem da sua comunidade. É nela que estão nossas raízes, nossas histórias e as pessoas que mantêm o samba vivo de geração em geração. Voltar à avenida depois de tantos anos é uma conquista de cada componente, de cada família e de todos que continuaram acreditando”, disse.

Novo ciclo

Já o presidente da Liesca, Edson Joia, ressalta que os desfiles reúnem cultura, inclusão, tradição e ancestralidade, além de movimentarem a economia e gerarem renda. “Hoje vivemos novos tempos, e a união das quatro escolas que seguraram a barra, que não deixaram o samba morrer em Campinas, abre um novo ciclo em nossa cidade”, afirmou.

A secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, afirmou que a volta dos desfiles é o reconhecimento do Carnaval como uma das mais importantes manifestações da cultura popular e afirmou que serão realizadas iniciativas de formações para fortalecer as escolas e os profissionais envolvidos. “O Carnaval movimenta artistas, músicos, artesãos, costureiras, produtores e uma ampla cadeia da economia criativa, além de preservar histórias e fortalecer os vínculos das comunidades com seus territórios”, disse.

Blocos

A retomada das escolas de samba não substitui o Carnaval dos blocos, que continuará fazendo parte da programação da cidade. A proposta é integrar as diferentes manifestações carnavalescas. As atividades dos blocos serão realizadas primeiro e, posteriormente, ocorrerão os desfiles das escolas de samba.


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