Categories: Economia Política

MEI em três faixas reduz burocracia, gera emprego e aumenta arrecadação do INSS

(foto ricardo stuckert)

O governo Lula teve duas grandes propostas econômicas que atendeu a população que tem emprego formal: a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 e a redução da jornada de trabalho para 40h semanais com redução da escala 6×1, que ainda precisa ser aprovada. Mas falta uma ação mais efetiva com o trabalho autônomo e com os microempreendedores individuais (MEIs).

Recentemente, houve uma ação com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, para os trabalhadores de plataformas de transporte por aplicativos. Agora falta uma ação do Governo Lula mais precisa para os outros setores do trabalho autônomo e para o microempreendedor, melhorando a legislação e combatendo com rigor a pejotização.

E, mais importante, é principalmente nesse setor que existe muita resistência ao PT e ao presidente Lula, muitos brasileiros seduzidos pelos discursos neoliberais da extrema direita. É certo que falta uma ação mais efetiva do Governo Lula nesse setor. Isso atingiria talvez uma parte do núcleo duro do bolsonarismo.

Uma solução simples seria dividir o MEI em três faixas, de forma a simplificar a burocracia, gerar empregos e aumentar a arrecadação previdenciária.

O crescimento de uma MEI para uma Micro Empresa é uma situação difícil de acontecer. É preciso ter uma escala de vendas consolidada, mas a realidade oscila muito nesses pequenos negócios, a MEI pode ir bem em um ano, mas no outro pode passar necessidade e não ter clientes. Segundo dados, apenas 2% a 3% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) realizam a transição para Microempresa (ME) anualmente. Esse percentual corresponde àqueles que ultrapassam o limite legal de faturamento ou decidem expandir o negócio de forma planejada. Ao mesmo tempo, estima-se que entre 600 mil e 1 milhão de Microempreendedores Individuais (MEIs) encerram suas atividades anualmente. Os dados variam conforme o ano fiscal e o volume total de baixas registradas pelo Ministério do Empreendedorismo e pelo Sebrae. E mais, 30% das MEIs fecham as portas até o quinto ano.

Uma divisão da MEI em 3 faixas, por exemplo, permitiria que o MEI suportasse melhor as oscilações de faturamento anual. Podendo oscilar entre as faixas sem ter que encerrar o seu negócio.

Em vez de simplesmente aumentar o valor do faturamento como é a proposta da Câmara dos Deputados, o uso das 3 faixas poderia aumentar a arrecadação previdenciária e gerar empregos. Por exemplo:

A Faixa 1, de até R$ 100 mil de faturamento anual seria de trabalhadores autônomos e MEIs com até 1 empregado e subsidiados na previdência social como é atualmente.

A Faixa 2, até R$ 150 mil de faturamento anual, poderia contratar de 1 a 3 funcionários, e já pagaria um INSS normal, sem gerar déficit previdenciário.

A Faixa 3, até R$ 200 mil de faturamento anual, poderia contratar de 3 a 4 funcionários e já pagaria um valor maior e simplificado, acima do padrão do INSS, gerando uma cobertura previdenciária para os MEIs da faixa 1.

Ou seja, o próprio sistema do MEI evitaria déficit previdenciário. A Faixa 1, mais pobre, seria beneficiada; a Faixa 2 sai do benefício, e a Faixa 3 já injetaria mais recursos para cobrir os benefícios da Faixa 1. Isso poderia gerar um círculo virtuoso para a economia e para a previdência, evitando o fechamento de milhares de MEIs anualmente.

O grande problema do Governo Lula talvez seja o receito de que isso geraria uma pejotização da sociedade. Mas isso é facilmente resolvido com uma legislação conjunta mais rigorosa ou normas específicas para evitar a pejotização e controlar empresas que queiram prejudicar o sistema de proteção social. Basta uma legislação mais rigorosa, impondo diversos condicionantes, limitar tempo de trabalho, limitar ou proibir presença física na empresa, limitar contratação de muitos MEIs etc. (Editorial)

Carta Campinas

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