Categories: Economia Política

Trabalhadores e estudantes denunciam violência policial e cobram negociação com reitores

(imagem divulgação stu)

Em meio a um cenário de crescente tensão, servidores técnico-administrativos, docentes e estudantes da Unicamp, Unesp, USP intensificam a greve unificada, após nova rodada de violência policial e cancelamento de negociação pelo Cruesp (conselho de reitores).

Nesta terça-feira (12), o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, comunicou uma nova reunião entre o Cruesp e o Fórum das Seis para o dia 14 de maio – data que ainda será cobrada como imediata pelas entidades, que exigem retorno efetivo à mesa de diálogo com avanços concretos.

Ato reprimido com gás de pimenta
Na última segunda-feira (11), trabalhadores e estudantes que aguardavam reunião de negociação na reitoria da Unesp, em São Paulo, foram atacados com gás de pimenta e agredidos por policiais militares, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os reitores da USP, Aluísio Segurado, e da Unicamp, Cesinha Montagner, não compareceram ao encontro. A reitora da Unesp e presidente do Cruesp, Maysa Furlan, recebeu o Fórum das Seis, mas não apresentou avanços na pauta.

O episódio ocorre dias após a desocupação violenta da reitoria da USP, na madrugada de 10 de maio, que deixou estudantes feridos e quatro presos, sem ordem judicial de reintegração de posse.

Manifestação(imagem divulgação stu)

Ponto crítico na Unicamp
Na Unicamp, a categoria também reivindica o fim da implementação da Autarquização da Área da Saúde, que prevê a transferência do Complexo Hospitalar da Unicamp para a iniciativa privada. O STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) repudiou a postura do reitor Paulo Cesar Montagner, que suspendeu a mesa de negociação em setembro de 2025 e ainda não retomou o diálogo de forma efetiva.

Reação à data da reunião (14 de maio)
A comunicação do reitor da Unicamp sobre uma nova reunião para 14 de maio é vista com cautela pelo movimento. Para as entidades, o Cruesp precisa demonstrar compromisso real com a negociação, apresentando proposta concreta de recomposição salarial e avançando em pautas emergenciais como vale alimentação, vale refeição, auxílio saúde, progressões e o pagamento de retroativos (“Descongela Já”).

“O Cruesp ofereceu 3,47% de reajuste, que nem cobre a inflação, enquanto a nossa perda acumulada desde 2012 chega a quase 16%. Cancelaram reuniões, mandaram a polícia e agora marcam encontro para 14 de maio. Queremos propostas, não enrolação. Nossa resposta é mais greve, mais organização e mais mobilização”, afirmam as lideranças do movimento de greve.

Próximos passos (Unicamp)
A greve segue com atividades diárias. Nesta terça (12), estão previstas panfletagem, café da manhã coletivo, concentração em frente ao Consu e “rolezinho” pelas unidades da Unicamp. Na quarta (13), haverá reuniões de unidade e assembleia aberta do Comando de Greve.

Veja a Pauta unificada do Fórum das Seis para 2026
As entidades ligadas às três universidades estaduais paulistas apresentam 13 eixos centrais na Campanha Salarial 2026, que incluem:

Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio/2012, além da reposição da inflação de 2025/2026;

Valorização dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes, com isonomia entre as universidades e o Ceeteps;

Garantia de isonomia salarial entre técnicos, docentes e servidores do Ceeteps;

Financiamento público: destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp;

Contratação imediata por concurso público e reposição de vagas;

Contra terceirizações e privatizações, com reversão de contratos terceirizados;

Redução da jornada para 30 horas semanais (técnicos e saúde), sem corte salarial;

Fim do ponto eletrônico e condições dignas de trabalho;

Defesa da aposentadoria pública com paridade, integralidade e fim da contribuição de aposentados;

Hospitais universitários 100% públicos e SUS, contra autarquização e OSs;

Ampliação das políticas de permanência estudantil (bolsas, moradia, restaurante, saúde mental);

Combate a assédios e violência institucional, com protocolos efetivos;

Defesa da autonomia universitária e democracia interna.

Carta Campinas

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