‘Saudade’, novo espetáculo do grupo Os Geraldos, estreia em São Paulo

(foto bob sousa – divulgação)

Em São Paulo – Depois de passar por Minas Gerais, Brasília e pelo Rio de Janeiro, o grupo campineiro Os Geraldos estreia em São Paulo o espetáculo “Saudade”. A montagem narra a história de um vilarejo onde a morte era tratada como brincadeira pelas crianças, até que um acontecimento altera de forma definitiva a maneira como elas compreendem a perda. A temporada vai desta sexta-feira, 15 de maio, até 14 de junho no Teatro do Sesc Santana.

Inspirada no conto “Pinguinho”, de Viriato Correia, e em textos de Rubem Alves, a peça articula infância, morte e memória a partir de uma encenação que integra narrativa e canto coletivo. No vilarejo que se constrói em cena, a saudade surge como experiência compartilhada entre atores e público.

Com concepção e direção de Douglas Novais, direção musical de Everton Gennari e dramaturgia de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro, o espetáculo reúne 13 intérpretes, que executam ao vivo canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim. A música organiza a progressão das cenas e aproxima referências culturais distintas do imaginário popular.

Criado há 18 anos em Campinas, Os Geraldos desenvolvem pesquisa em teatro popular centrada na relação direta com a plateia. O grupo já circulou por 106 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países. Sua estética desenvolve-se em três frentes principais: as visualidades do espetáculo, com um ateliê próprio responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação; a expressividade vocal, que investiga a palavra falada e cantada como matéria central da cena; e o coro, em que a relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.

A montagem

A primeira apresentação de “Saudade” foi realizada em língua espanhola. Ainda na etapa inicial de pesquisa, em 2024, o projeto foi selecionado na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do Programa Iberescena, entre mais de 200 propostas inscritas por 24 países. A partir desse convite, o grupo realizou uma residência artística na Catalunha, na Espanha, com desdobramentos na Itália, França e Inglaterra.

Segundo o diretor Douglas Novais, a experiência evidenciou a permeabilidade da narrativa: a versão apresentada em espanhol encontrou ressonância junto ao público europeu, aproximando contextos culturais distintos por meio de temas universais.

A encenação articula teatro popular e diálogo intercultural, e a música ao vivo ocupa função estruturante na dramaturgia. O cenário, também assinado por Novais, traz um chão de vidro que alterna reflexão e iluminação interna, modificando a percepção do espaço ao longo do espetáculo. A iluminação é de Caetano Vilela.

Os figurinos, também concebidos pelo diretor, são confeccionados em algodão cru e partem de referências das infâncias dos intérpretes, com referências à paleta e ao olhar social presentes na obra de Cândido Portinari. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: de 15 de maio a 14 de junho de 2026
Horário: sextas e sábados às 20h, e aos domingos e feriados às 18h, com exceção do dia 23/5, em que a sessão será às 21h, e do dia 13/6, em que não haverá sessão; também haverá apresentações extras nos dias 29/5 e 12/6, às 15h
Local: Teatro do Sesc Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana – São Paulo-SP
Ingressos: entrada gratuita nos dias 15, 16 e 17/5 (Semana S) e nos dias 23 e 24/5 (Virada Cultural); R$ 18,00 (credencial plena), R$ 30,00 (meia) e 60,00 (inteira) nas demais datas, à venda pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/santana e na bilheteria da unidade
Acessibilidade: a partir do dia 22/5 tradução e interpretação em Libras, audiodescrição e recursos táteis

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