
O grupo do senador Flávio Bolsonaro (PL), liderado pelo senador Rogerio Marinho (PL-RN) apresentou, na quinta-feira (28), uma proposta de emenda à Constituição para permitir uma jornada de trabalho escravocrata, 7×0, trabalhar todos os dias, inclusive aos domingos, sem descanso. A proposta é uma verdadeira lei da selva, enterra a proposta da escada 5×2, com dias de descanso e permite a exploração do trabalho por hora trabalhada sem limites. Seria o fim de toda proteção social da CLT.
Pela proposta escravocrata, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime selvagem baseado em horas trabalhadas. O patrão poderia, assim, pagar ao empregado somente as horas efetivamente trabalhadas.
A PEC deixa claro que o contrato individual com o patrão vai prevalecer sobre possíveis acordos coletivos. Assim, com a PEC do grupo de Flávio Bolsonaro, o dono da empresa se transforma no legislador trabalhista das horas da sua empresa, assim como os senhores de escravos ditavam as regras dentro das suas fazendas.
A proposta do coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro busca ampliar a liberdade e a autonomia do patrão, fazendo com que o trabalhador se submeta ao modelo do individual do patrão ou escolha a liberdade de ficar desempregado. Os benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Em vez de trabalhar no limite máximo de 40 horas, como prevê a PEC aprovada semana passada e que acaba com a escala 6×1 (seis dias de trabalho), o grupo vai permitir que o patrão estabeleça uma jornada de trabalho de 50, 60, 70, 100 horas semanais, inclusive sem descanso semanal.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usou as redes sociais, neste domingo (31), para criticar a PEC 12/2026 protocolada por senadores bolsonaristas. A parlamentar denunciou que a proposta, liderada por Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vai na contramão do desejo popular e permite a criação de uma “escala 7×0”. “O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT e cria a escala 7×0 (PEC 12/2026)”, escreveu a deputada.
A PEC do coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro foi apresentada no Senado logo depois de a Câmara dos Deputados aprovar, por ampla maioria de votos nesta quarta-feira (27), a PEC 221/2019 – que estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso, acabando com a escala 6×1 (um dia de descanso e 44 horas semanais). A proposta de redução da jornada, que tem forte apoio do governo Lula, agora será analisada pelos senadores.
Discover more from Carta Campinas
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




