
As entidades representativas da comunidade universitária — STU, ADunicamp e DCE Unicamp — manifestaram profundo repúdio à presença da Polícia Militar dentro do campus da Unicamp em Barão Geraldo, em meio à mobilização legítima de estudantes e trabalhadores/as em defesa da universidade pública.
De acordo com as entidades, a presença ostensiva da PM, com viaturas e efetivos posicionados nas entradas da universidade e posteriormente diante da Reitoria, durante um dia de Conselho Universitário e greve de trabalhadores e estudantes, hoje, 12 de maio de 2026, configura um abuso, um excesso, uma tentativa evidente de intimidação e uma violência contra toda a comunidade acadêmica.
Veja também o que diz a nota:
Dentro da Unicamp circulam docentes, estudantes, funcionários técnico-administrativos, crianças das creches e escolas vinculadas à universidade, usuários do sistema de saúde e a população que acessa cotidianamente este espaço público de produção de ciência, conhecimento, cultura e direitos. A universidade não pode ser transformada em território de coerção policial.
A comunidade universitária exerce seu legítimo direito democrático de manifestação diante das políticas de redução de investimentos, dos ataques aos direitos sociais, da precarização do serviço público, da ameaça de autarquização e privatização, e dos constantes ataques à ciência produzida nas universidades públicas — patrimônio da sociedade brasileira e sustentada por ela.
É necessário recordar que a história da Unicamp e das universidades públicas paulistas sempre demonstrou que conflitos políticos e institucionais devem ser tratados pela via do diálogo e da negociação, jamais pela intimidação policial. Em 2016, durante a greve estudantil e a ocupação da Reitoria, por exemplo, a resolução dos conflitos ocorreu por negociação política, sem repressão policial. É grave que hoje se tente naturalizar outro caminho.
A entrada da PM no campus evoca episódios nefastos da história brasileira e universitária, marcados pela perseguição política, pela repressão aos movimentos sociais e pela violação dos direitos humanos. Traz para dentro da universidade a sombra do terror e da violência que recentemente chocou o país, como ocorreu na USP, na madrugada do dia 10 de maio de 2026, Dia das Mães, quando a Tropa de Choque retirou estudantes de forma brutal e degradante, com práticas autoritárias incompatíveis com qualquer Estado democrático.
A escalada da violência policial contra estudantes, professores, trabalhadores e movimentos sociais não pode ser dissociada da política de militarização e repressão que atinge especialmente as populações periféricas e pobres do estado de São Paulo. Operações como a “Escudo” e a “Verão” consolidaram verdadeiros laboratórios de violência estatal, cujas práticas repressivas se expandem posteriormente para outros espaços sociais e políticos.
O fascismo se alimenta justamente da criação de “inimigos internos”, da criminalização das lutas sociais e da naturalização da violência contra quem reivindica direitos. Todos e todas nos tornamos alvo quando o medo e a intimidação passam a substituir o diálogo democrático. Não podemos normalizar essa lógica nem nos submeter a ela.
É inaceitável que um governo que concede aumento salarial às forças repressivas utilize o aparato policial para intimidar trabalhadores e estudantes que lutam em defesa do serviço público, da saúde pública, da educação pública e dos direitos sociais.
Reafirmamos: lutar não é crime. Greve não é caso de polícia. Manifestação não é ameaça à universidade — ao contrário, é expressão legítima de uma universidade viva, crítica e comprometida com a sociedade.
Apelamos à Reitoria da Unicamp e ao Conselho Universitário para que rechacem terminantemente qualquer tentativa de criminalização dos movimentos sociais e interrompam imediatamente qualquer iniciativa de militarização do espaço universitário. Exigimos que a universidade reafirme, de maneira inequívoca, seu compromisso histórico com a autonomia universitária, com as liberdades democráticas, com os direitos humanos e com a resolução política e negociada dos conflitos.
Apelamos também às/aos docentes, pesquisadoras/es, estudantes e trabalhadoras/es da universidade para que se posicionem firmemente em defesa da universidade pública e contra qualquer forma de intimidação policial dentro do campus.
Todos queremos o mesmo: uma universidade pública forte, democrática, devidamente financiada, socialmente comprometida e que respeite estudantes, trabalhadores e docentes em seus direitos.
Não aceitaremos a militarização da vida universitária.
STU — Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp
ADunicamp — Associação de Docentes da Unicamp
DCE Unicamp
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