Categories: Economia Política

Como a mídia corporativa corrói a democracia com a isenção cínica

(imagens reprodução divulgação)

O título do colunista Josias de Souza, publicada pelo no UOL/Folha, é um belo exemplar de como a mídia corporativa brasileira (Globo, Band, Folha, Estadão, etc) corroem a democracia de uma forma cínica. Este é apenas um exemplo. Mas existem muitos.

Flávio Bolsonaro (PL) já afirmou publicamente, inclusive em entrevista ao UOL/Folha, que não tem o menor apreço à Democracia e que vai violar as regras democráticas. Ou seja, isso é um fato. Eleição de qualquer representante da dinastia Bolsonaro e seus asseclas é provocar desestabilização e o risco à Democracia. Eles falam isso abertamente, sempre falaram isso, são defensores de ditadura, tentaram um golpe e prometem fazer de novo.

Aí vem o título cínico: “Lula trata Flávio Bolsonaro como um risco à democracia”, como se isso fosse uma questão de opinião. A água ferve a 100 graus centígrados não é questão de opinião. É fato. Isso é isenção cínica. Mas fazem isso para manter uma falsa polarização que eles próprios criaram. Como se o fascismo bolsonarista expressado cotidianamente na prática e no discurso fosse uma opinião do Lula.

Lula é apoiado pela esquerda, pelo centro e por boa parte da direita. E os serviçais da mídia insistem em uma polarização que não existe, visto que não é possível uma polarização entre o centro e um extremo.

São com essas manchetes do Josias que a elite econômica mantém aceso a chama do fascismo contra qualquer avanço social. O apoio ao fascismo é o cão de guarda da elite econômica e dos super-ricos.

Vale lembrar aqui o power point da Andrea Sadi, que de forma escandalosa ligou o PT e Lula ao Banco Master, um escândalo originado no governo Bolsonaro, por isso chamado de BolsoMaster. Isso acontece cotidianamente. A cobertura da mídia centrada sobre o STF no caso Master é outro escândalo, como bem mostrou Gilmar Mendes.

O cerne do escândalo do Banco Master todos sabem, mas a mídia corporativa não consegue ver. Mas aqui você pode saber.

A cobertura da Band e outros veículos sobre o governo Lula é outro escândalo. No governo fascistas, eles babavam com seus microfones e divulgavam todas as asneiras diárias do cercadinho.

Já com Lula fechando grandes negócios na Espanha, Alemanha, Índia e China é uma cobertura envergonhada, obrigatória, amarrada, contrariada, triste. Uma cobertura jornalística caca de galinha.

A isenção cínica na mídia é ter ciência dos fatos e se postar como se não tivesse. E com isso mantém vivo o poder do fascismo, do autoritarismo e da violência. A mídia corrói a democracia diuturnamente.

A isenção cínica da imprensa brasileira é uma espécie de derivação da razão cínica, teorizada pelo psicanalista Jurandir Freire Costa há cerca de 30 anos.

“O que vigora, hoje, no Brasil é uma razão cínica,” identifica Jurandir, tomando emprestado um conceito de Peter Sloterdijk. “No lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante, que diz que toda lei é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo.” (link)

“Atualmente, o discurso pautado pela razão cínica, longe desta tendência, consiste numa posição superficial, autoritária e afirmativa do conformismo subserviente à estabilidade do sistema dominante. Trata-se de uma razão cega, porque vê, mas finge não ver. Sabe, mas não reconhece; por ser politicamente conveniente e submissa aos interesses ideológicos dos que fazem a negação das evidências. Enquanto a filosofia cínica dos gregos antigos tinha uma posição cognitiva de contestação aos padrões dominantes, a razão cínica atual, sendo conformista, sequer se assume como tal, porque pretende se camuflar enquanto discurso que defende exatamente a manutenção desses padrões, pelo discurso falacioso sem nenhuma força de argumento que mereça o nome de racionalidade lógica”. (link) (Editorial)

Carta Campinas

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