Matula Teatro está de volta com ‘Como se Fosse’, em comemoração aos 20 anos da Lei Maria da Penha

(foto nina pires – divulgação)

Nesta sexta-feira, 7 de agosto, quando a Lei Maria da Penha (Lei 11.3460/2006) completa 20 anos, o Grupo Matula Teatro retorna a Campinas, cidade sede do grupo, com o premiado espetáculo “Como se Fosse”. Dirigida por Verônica Fabrini, a peça aborda a violência doméstica e familiar, e será apresentada na Sala dos Toninhos,com entrada gratuita.

Na trama, duas mulheres da mesma família, separadas temporal e espacialmente por 18 anos, compartilham histórias que seriam facilmente encontradas em jornais. Uma delas conversa com a filha, que brinca entre as costuras da mãe, enquanto a outra ensaia com um gravador as palavras que vai dizer para alguém que ainda não chegou.

Ao escolher a obra de uma dramaturga espanhola, Gracia Morales, o grupo se surpreendeu ao perceber semelhanças entre um texto ficcional escrito na Espanha no começo dos anos 2000 e a realidade brasileira atual. O texto aborda todo o ciclo da violência doméstica, passando pelo ato violento em si, o pedido de desculpas e a lua de mel.

O grupo, porém, sentiu falta de uma abordagem mais social e menos particular do problema. “Como as atrizes foram responsáveis pela tradução do texto, em acordo com a dramaturga, realizamos algumas alterações no original, incluindo a inserção de dados estatísticos sobre casos de violência doméstica no Brasil, já que o país ocupa o quinto lugar no ranking mundial de feminicídio e o primeiro em transfeminicídio”, conta Alice Possani.

Apesar de reconhecer que esse é um tema difícil e com possíveis gatilhos, o grupo optou por alternar os momentos de tensão com outros de humor e de leveza na montagem do espetáculo. A intenção, explicam, foi criar uma conexão com a plateia a partir desse recurso, sem distanciar o público, mas “convidá-lo a refletir sobre um tema tão importante e urgente”.

A encenação transita entre os diferentes pontos de vista que compõem as relações dessas personagens: sutilezas entre mãe e filha, encontros e desencontros de um casal, relação de proximidade e de afastamento entre pai e filha e a perspectiva sobre uma experiência vivida que se transforma com o tempo.

Toda a ação acontece de uma maneira cíclica. E essa sensação é ampliada por diferentes recursos cênicos. Existe, por exemplo, a repetição dos nomes das mulheres da mesma família, uma mãe que sempre perde seu dedal de costura, brigas que acontecem costumeiramente às sextas-feiras e dias de amor às terças.

As atrizes Alice Possani e Erika Cunha revezam-se nos papéis de mãe e filha, em uma narrativa entrecortada por memórias que evidencia as camadas cada vez mais complexas de sentimentos que atravessam essas relações familiares, e a luta da personagem mais nova para interromper o ciclo da violência.

O figurino, assinado por Anna Kühl, contribui para o clima de sufocamento, por exemplo, com as blusas de golas altas usadas pelas atrizes em cena. A atmosfera se completa com a trilha sonora, composta por Dudu Ferraz especialmente para o espetáculo, e com o minimalismo do cenário e o jogo de luz e sombra criados por Eduardo Albergaria, em sintonia com a sonorização.

Para reforçar a dimensão social do tema da peça, o Matula acrescentou no palco um grande varal em que ficam penduradas roupas com os nomes de mulheres vítimas de feminicídio da Região Metropolitana de Campinas, em homenagem e memória de cada uma delas. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: 7 de agosto de 2026 (sexta-feira)
Horários: 15h (para servidoras e servidores da Prefeitura de Campinas) e 20h (para a população em geral, com acessibilidade em Libras e audiodescrição)
Local: Sala dos Toninhos – Estação Cultura
Endereço: Rua Francisco Teodoro, 1.050, Vila Industrial, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita, com retirada uma hora do início do espetáculo

Cultura Carta

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