Corte de verbas da Unicamp pelo governo Tarcísio prejudica a população de São Paulo

(imagem stu divulgação)

 Se a Unicamp recebesse menos verbas amanhã, quem sentiria primeiro? A resposta pode surpreender quem imagina que esse seja um problema restrito aos estudantes, professores e servidores técnico-administrativos que circulam pelos campi diariamente.

Na verdade, seriam afetados todos os cidadãos que, de alguma forma, dependem dos serviços públicos de educação e saúde oferecidos por uma das mais importantes universidades da América Latina.

Quando uma universidade pública perde capacidade de investimento, não é apenas o orçamento universitário que encolhe. São pesquisas interrompidas, laboratórios que deixam de ser modernizados, dificuldade para contratar e repor profissionais, menos bolsas para estudantes, equipamentos defasados, leitos reduzidos ou superlotados e cirurgias eletivas que deixam de ser realizadas.

A Unicamp, ao lado da USP e da Unesp, responde por uma parcela significativa da produção científica brasileira. Dessas instituições saem pesquisas sobre epidemias, vacinas e medicamentos, mudanças climáticas, inteligência artificial, agricultura, novas tecnologias e políticas públicas. Também saem médicos, enfermeiros, engenheiros, advogados, professores, farmacêuticos e tantos outros profissionais que ajudam a movimentar a economia e fortalecer os serviços públicos.

Ciência, ensino e assistência à saúde exigem financiamento permanente. É por isso que, com a aprovação da reforma tributária, em 2023, abriu-se uma discussão preocupante sobre como serão financiadas, no futuro, as universidades estaduais paulistas.

Independentemente do modelo de repasses financeiros que venha a substituir o atual sistema de arrecadação de impostos, o essencial é garantir que USP, Unicamp e Unesp tenham recursos suficientes para manter suas atividades e planejar investimentos de longo prazo.

Para o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), os cortes de investimentos públicos promovidos pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas áreas de saúde e educação nos últimos anos, somados às propostas de mudanças na gestão do hospital universitário da Unicamp, como a iniciativa de autarquização do Complexo Hospitalar, despertam preocupação e reforçam a necessidade de vigilância da sociedade sobre o futuro de um patrimônio construído para atender, prioritariamente, a população usuária do SUS.

Defender a ampliação das verbas pública para a Unicamp não significa proteger estudantes ou servidores, supostamente “privilegiados” segundo a extrema direita. Ao contrário, significa preservar um patrimônio coletivo que devolve à população, todos os dias, conhecimento, atendimento em saúde, inovação e contribuições para enfrentar desafios sociais, ambientais e econômicos.

Sempre que os recursos dessas universidades são reduzidos, quem perde não é apenas a comunidade universitária. Perde a gestante que recebe tratamento no Caism/Hospital da Mulher, o agricultor que planta uma variedade desenvolvida por pesquisadores, a pequena empresa que transforma uma patente em inovação, o estudante da escola pública que se torna o primeiro médico da família, a população mais vulnerável que espera por um tratamento especializado no SUS e, muito provavelmente, alguém da sua própria família.

Porque a Unicamp não pertence apenas a quem estuda ou trabalha nela. Pertence a Campinas e região e, em última análise, a todo o Brasil que estuda, pesquisa e utiliza os serviços prestados por ela.

Pode ser que você nunca tenha entrado na Unicamp, mas é muito provável que alguém da sua família ou do seu trabalho já tenha sido atendido por um de seus hospitais, estudado em uma de suas salas de aula, trabalhado com um profissional formado ali ou se beneficiado de uma pesquisa desenvolvida pela universidade.

Por isso, reduzir o financiamento público dessa instituição impacta não apenas quem trabalha ou estuda nela, mas toda a sociedade, que deixa de contar com pesquisa, inovação e serviços públicos de educação e saúde fundamentais para o desenvolvimento do país. Se a universidade pública enfraquecer, é o Brasil que perde!

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