Política de Bolsonaro fez diesel subir 87% e a de Lula apenas 12% com a guerra

(foto rovena rosa – ag brasil)

O modelo de política econômica aplicada e defendida no governo Bolsonaro (PL) provocou um aumento de até 87% no preço do diesel gerando prejuízo para os caminhoneiros e inflação para os brasileiros. Já a política defendida pelo governo Lula (PT), de ter as refinarias como política estratégica de Estado, geraram um aumento de apenas 12% com o bombardeio dos EUA e Israel contra o Irã. Veja abaixo:

A guerra no Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz pressionam o preço internacional do petróleo e já provocam efeitos sobre os combustíveis no Brasil, em especial nas refinarias privatizadas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), que praticam um preço atrelado à cotação internacional do combustível.

Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostra que, entre 27 de fevereiro e 31 de março, refinarias privadas elevaram o valor do diesel muito acima da Petrobras, aprofundando o impacto sobre frete, inflação e custo de vida.

Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, o diesel saltou de R$ 3,28 para R$ 6,15 por litro, alta de 87%. Na Ream, no Amazonas, o combustível passou de R$ 3,78 para R$ 5,10, avanço de 35%. Na refinaria Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, o diesel S-500 subiu de R$ 3,33 para R$ 5,78, alta de 74%.

No mesmo período, a Petrobras reajustou o diesel de R$ 3,27 para R$ 3,65, alta de 12%. Hoje, o diesel vendido em Mataripe está 68% acima do valor praticado pela Petrobras. No caso da Ream, a diferença chega a 81%.

Na gasolina, o movimento foi semelhante. Mataripe elevou o litro de R$ 2,54 para R$ 4,09, alta de 61%, e a Ream passou de R$ 2,90 para R$ 3,48, aumento de 20%. A Petrobras manteve o preço em R$ 2,57. Os dados mostram que as refinarias privadas têm repassado com mais rapidez a alta internacional do petróleo.

O efeito já aparece na inflação. Em março, o diesel subiu 13,9% no IPCA, a maior alta mensal desde novembro de 2002. A gasolina avançou 4,59%. Como o diesel é central para o transporte de cargas, o aumento acende o alerta para novos repasses sobre alimentos e outros produtos.

A Bahia virou o caso mais emblemático desse movimento. Segundo o IPCA, Salvador registrou em março a maior inflação do país para gasolina, diesel e etanol. O estado abriga a Refinaria de Mataripe, privatizada em 2021, e voltou ao centro do debate depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizer que o governo estuda recomprar a unidade para a Petrobras.

Governo tenta conter repasse com subsídio
Diante da disparada do diesel, o governo federal publicou nesta semana uma medida provisória que cria o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis. O pacote prevê subvenção de R$ 1,20 por litro de diesel rodoviário importado, com custo dividido entre União e estados, em uma tentativa de segurar o repasse da guerra no Oriente Médio para a economia brasileira.

A medida tem limite total de R$ 4 bilhões e busca manter o fluxo de importações e reduzir a pressão sobre o setor produtivo. O problema é que a redução do preço internacional continua incerta. Com o cessar-fogo, havia expectativa de queda nos preços. Mas o Irã impôs nesta sexta (10) novas restrições no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, o tráfego de navios caiu drasticamente e o barril voltou a girar em torno de US$ 100.

O cenário reforça uma diferença que vem marcando o mercado brasileiro de combustíveis desde a privatização de refinarias. Enquanto a Petrobras ainda amortece parte dos choques externos, agentes privados repassam a alta com mais velocidade. No caso do diesel, isso significa pressão direta sobre frete, alimentos e inflação. (Rodrigo Chagas – BdF)


Discover more from Carta Campinas

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Comente