Polícia Federal prende ex-diretor do BRB que deu aval para a mansão de Flávio Bolsonaro

Vorcaro, Paulo e Flávio (imagens reprodução e carlos moura ag senado)

Em nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (16), o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso. O ex-diretor é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro. Ele foi preso em Brasília.(link)

Paulo Roberto Costa era o presidente do Banco de Brasília em 2021, e liberou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro (PL) comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul. A mansão, de 2.400 m², foi financiada com taxas nominais entre 3,65% e 3,71% ao ano (mais IPCA) — valores que, na época, eram impraticáveis para o cidadão comum sem conexões políticas. O valor de mercado é de R$ 10 mil o metro quadrado e o valor estimado de imóveis com essa metragem quadrada de construção na região pode chegar a R$ 24 milhões. Um negócio das arábias!

Embora o banco tenha classificado a operação como “taxa de mercado”, o financiamento exigiu o aval direto da diretoria colegiada presidida por Paulo Roberto Costa, apadrinhado por Ibaneis Rocha. Se a investigação não for barrada pelo ministro André Mendonça, do STF, ligado aos bolsonaristas, a investigação do Master pode envolver a compra da mansão de Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento e deveriam ser investigados pelo PGR. (link)

A mansão foi vendida pelo empresário Juscelino Sarkis. Sarkis é ligado a setores empresariais que tiveram negócios com o governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro e sua namorada era juíza auxiliar no STJ. A venda da casa foi através da imobiliária RVA Construções e Incorporações, com ligações com a Super Empreendimentos, empresa de Daniel Vorcaro, do Banco Master(link). Veja matéria sobre a Super Empreendimentos.

Nesse período do governo Bolsonaro, entre 2021 e 2022, a mineradora de Juscelino Sarkis, o vendedor da casa para Flávio Bolsonaro, obteve 8 processos de licenças de mineração na Agência Nacional de Mineração, ligada ao ministério de minas e energia.

O financiamento do imóvel de Flávio Bolsonaro pelo BRB não foi um caso isolado nos benefícios do banco para a família. A proximidade de Bolsonaro e Ibaneis Rocha foi além. Familiares e expoentes do bolsonarismo obtiveram créditos no banco para compra de imóveis no período.(link)

Compliance Zero  

Na operação da Polícia Federal desta manhã, além de Paulo Roberto Costa, há mandados judiciais dentro da 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (16) os policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Distrito Federal e em São Paulo.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com a PF, “estão sendo investigados crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”.

Na terceira fase da Operação Compliance Zero, em março, a PF cumpriu o mandado de prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

O STF determinou também afastamento de cargos públicos de alguns investigados, além de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões. (Com informações da Agência Brasil)


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