
As mulheres voltam a sair às ruas em todo o Brasil neste sábado, 25 de abril, contra a violência de gênero e a escalada dos casos de feminicídio no país. A mobilização “Brasil sem Misoginia” já conta com confirmação em pelo menos 29 cidades brasileiras e tem como uma de suas principais pautas a criminalização dos discursos de ódio e outros atos violentos contra as mulheres. Em Campinas, a manifestação está marcada para as 9h, na Praça da Catedral, no Centro.
A convocação do movimento Levante Mulheres Vivas reforça a urgência de enfrentar a violência estrutural de gênero e ampliar o debate público sobre o tema. Entre as reivindicações centrais está o avanço do Projeto de Lei 896/23, que propõe a tipificação da misoginia como crime. A proposta já foi aprovada no Senado, em 24 de março, mas ainda aguarda tramitação na Câmara dos Deputados.
Para os organizadores do ato, a pressão popular é fundamental para que o projeto avance, seja colocado na pauta pelo presidente da Casa, Hugo Motta, e passe no plenário. Ao contrário do que ocorreu no Senado, onde foi aprovado por unanimidade, o PL encontra resistência de deputados de direita conservadores, que já sinalizaram oposição alegando liberdade de expressão.
Com o lema “misoginia não é opinião, é violência”, o levante busca chamar atenção para o aumento dos casos de ataques contra mulheres e para a necessidade de respostas institucionais mais efetivas. A misoginia é o ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres, que pode se manifestar pela violência física, psicológica, verbal ou difamação.
Violência recorde
Dados recentes apontam o agravamento da violência de gênero no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde que o crime foi tipificado, em 2015, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Laboratório de Estudos de Feminicídio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) contabilizou quase 7 mil casos, entre tentativas e feminicídios consumados.
Esse cenário se articula com a expansão da violência no ambiente digital. Pesquisas do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificaram a atuação de redes organizadas que disseminam discursos de ódio contra mulheres, como a chamada “machosfera” e o movimento “red pill”. Esses grupos usam as plataformas digitais de forma coordenada para amplificar conteúdos misóginos e normalizar a violência de gênero, influenciando o debate para além das redes.
O que prevê o PL
* Punição para os crimes praticados em razão de misoginia.
* A misoginia é definida como “conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”.
* Aplicação da pena em dobro quando o crime for cometido contra a mulher no contexto de violência doméstica e familiar.
* Pena de reclusão de um a três anos e multa para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou o preconceito.
* Pena de reclusão de dois a cinco anos e multa por injúria motivada por misoginia.
* Os crimes de misoginia passam a ser inafiançáveis e imprescritíveis.
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