
O Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes recebe até 17 de outubro a exposição “Bancos Indígenas do Brasil – Rituais”, mostra gratuita que apresenta 133 bancos e artefatos produzidos por artistas de 49 povos indígenas brasileiros. A mostra convida o público a conhecer objetos que ocupam papel central na vida social, espiritual e cerimonial de diferentes comunidades originárias.
Esculpidos principalmente em madeira, os bancos indígenas costumam representar animais, seres encantados e elementos ligados às cosmologias de cada povo. Mais do que assentos, são objetos carregados de significados simbólicos, usados em rituais, celebrações e atividades cotidianas. A mostra reúne objetos rituais dos povos Apyãwa (Tapirapé), Huni Kuin, Karajá e Galibi-Marworno, entre outros, além de máscaras e artefatos relacionados aos contextos em que essas obras são produzidas e usadas.
As peças pertencem à Coleção BEĨ, acervo formado ao longo de mais de duas décadas pelos colecionadores Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim. Atualmente, a coleção reúne mais de 1.300 obras e tem como princípio reconhecer a autoria individual dos artistas indígenas, valorizando produções que, durante muito tempo, foram tratadas de forma genérica ou anônima. A iniciativa também busca fortalecer a autonomia dos criadores e ampliar o reconhecimento da diversidade cultural dos povos originários.
A curadoria é assinada pelos artistas indígenas Antônio Bane Huni Kuĩ, Krumaré Karajá, Milton Galibis Nunes, Rael Tapirapé e Sokrowe Karajá, em parceria com Marisa Moreira Salles, Tomas Alvim e Danilo Garcia. Para os organizadores, a exposição evidencia a arte indígena como expressão viva de conhecimentos ancestrais que seguem em constante transformação e diálogo com o presente.
Além de apresentar a riqueza estética dessas produções, a mostra propõe reflexões sobre temas como memória, território, sustentabilidade e preservação ambiental. Os bancos ritualísticos revelam modos de vida profundamente conectados aos biomas brasileiros e aos saberes transmitidos entre gerações, destacando a contribuição dos povos indígenas para a proteção da biodiversidade e para a construção de outras formas de relação com a natureza.
A programação inclui ainda ações educativas voltadas a estudantes, atividades mediadas por artistas indígenas e conteúdos audiovisuais que registram os processos de criação das peças nas aldeias, ampliando o contato do público com os contextos culturais que dão origem às obras.
A exposição também marca o lançamento de “Bancos Indígenas do Brasil: Grafismos”, novo título da BEĨ Editora. A publicação investiga os padrões visuais presentes nos bancos e em outras manifestações da cultura material indígena, abordando esses elementos como formas de linguagem capazes de transmitir narrativas, conhecimentos, relações com o território e visões de mundo.
Em edição trilíngue — português, inglês e francês —, o livro reúne mais de 50 bancos produzidos por artistas de 13 povos indígenas, além de depoimentos de lideranças, pesquisadores e criadores sobre os significados dos grafismos em suas culturas. O volume traz ainda ensaios fotográficos e textos de aprofundamento histórico, artístico e antropológico, propondo uma leitura da arte indígena construída a partir das perspectivas de seus próprios protagonistas. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: até 17 de outubro de 2026
Horário: terça a sexta-feira das 10h às 18h e aos sábados das 10h às 19h
Local: Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes
Endereço: Praça Imprensa Fluminense, s/nº, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
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