Base de Dário rejeita convocação de secretário para explicar devastação na Praça do Coco

(reprodução redes sociais)

Com votos dos vereadores da base do prefeito Dário Saadi (Republicanos) na Câmara de Campinas, foi rejeitado o pedido de convocação do secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, para prestar esclarecimentos sobre o corte de árvores realizado nesta terça-feira (28/4) na Praça do Coco, em Barão Geraldo.

O requerimento foi apresentado na sessão de quarta-feira (29/4) pela vereadora Fernanda Souto (PSOL) e recebeu 15 votos contrários entre os 22 parlamentares presentes. “Mais uma vez a Câmara Municipal de Campinas recusa seu papel de poder fiscalizador”, afirmou a vereadora, criticando a falta de fiscalização da Prefeitura e a terceirização das podas de árvores “muitas vezes irregulares”.

Também nessa quarta-feira, o vereador Wagner Romão (PT) apresentou um Projeto de Lei Complementar estabelecendo regras para podas, transplante e extração de árvores na cidade. Além de Romão, o documento leva as assinaturas dos vereadores Gustavo Petta (PCdoB), Guida Calixto (PT), Mariana Conti (PSOL) e Fernanda Souto.

Contestação de laudos pela população

Entre as medidas propostas no projeto, está a proibição da emissão de laudo pela mesma empresa terceirizada que fará o serviço e o direito da população de contestar o resultado das vistorias. Pelo projeto, a Prefeitura deverá publicar o documento completo no Diário Oficial e em locais visíveis próximos à área que será afetada.

Qualquer pessoa poderá apresentar argumentos contrários aos laudos, fundamentados tecnicamente, em um prazo de 30 dias. Caso o governo municipal discorde, o caso deverá ser analisado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), que tomará a decisão final, autorizando ou negando a intervenção. O projeto proíbe ainda as podas drásticas, com remoção de mais de 30% da copa, inclusive por empresas de energia e outros serviços públicos.

Durante a sessão foram apresentados diversos requerimentos de vereadores pedindo informações à Prefeitura sobre a devastação de árvores e destruição de equipamentos do parque infantil da Praça do Coco e sobre intervenções urbanas e seus impactos ambientais. A Prefeitura tem prazo de 15 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, para responder os requerimentos.

De acordo com o governo municipal, o corte em Barão Geraldo foi realizado porque as duas árvores apresentavam risco à segurança dos frequentadores, seguindo recomendações técnicas. A vereadora Mariana Conti, no entanto, questiona os laudos apresentados pela Prefeitura e afirma que o corte na praça ignorou os estudos ambientais que haviam sido encomendados sobre o local.

A parlamentar informou que requisitou todos os laudos emitidos na gestão do atual prefeito e que análises técnicas que vêm sendo feitas por especialistas mostram que não correspondem aos critérios técnicos estabelecidos pela norma de manejo urbano, além de criticar o método usado para calcular o risco de queda.

“O Dário motosserra atacou novamente. Infelizmente, este caso é parte de um projeto de destruição ambiental do Dário, que ano após ano destrói áreas verdes, desrespeitando a Lei de Arborização Urbana e áreas de preservação, enquanto propagandeia programas ambientais controversos”, disse a vereadora.

Protesto

Na manhã desta quarta-feira (29), moradores, frequentadores e comerciantes fizeram um ato de protesto na Praça do Coco contra os cortes. Houve manifestações de repúdio também nas redes sociais, entre elas das Caixeiras das Nascentes, que afirmaram que a extração de árvores centenárias descaracterizaram o local, com prejuízos ambientais e sociais em um espaço que é “patrimônio ambiental e afetivo”.

Outras mensagens divulgadas na internet pediam a saída do secretário Paulella, maior transparência sobre os laudos e que a população seja comunicada das extrações com antecedência. Comerciantes locais divulgaram um comunicado (leia abaixo) sobre a extração e um novo ato está previsto para este sábado na praça.

Nota oficial
A Praça do Coco reafirma seus compromissos ambientais, ecológicos e o zelo pelo espaço que construímos há mais de 27 anos. O nosso ambiente em harmonia com a natureza é uma das nossas principais bases, que reflete toda a nossa história e ações ao longo dos anos. Infelizmente, fomos surpreendidos pela Prefeitura com a extração de duas lindas árvores que nos acompanharam desde o início de nossa historia, além de danificar parte da nossa estrutura, que sempre foi construída e mantida com carinho. Nos opusemos formalmente e tentamos impedir sua remoção. Tivemos, posteriormente, acesso a dois laudos distintos que apresentavam risco de queda, o que justificaria o pedido de remoção.
Independente dos desenrolares e justificativas desse ocorrido, manteremos a comunidade da Praça do Coco informada de nossos próximos passos, inclusive a respeito do plantio de novas espécies no solo para continuar fornecendo um ambiente em harmonia com a natureza. Além disso, como resposta a essa enorme perda, voltaremos a distribuir gratuitamente mudas para a comunidade, incentivando o plantio e a conscientização ambiental.


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