Categories: Economia Política

Movimentos sociais defendem fim da escala 6×1 e isenção do IR no 7 de setembro

(foto fernando frazão – ag brasil)

Em ato organizado pelos movimentos sociais e centrais sindicais, milhares de pessoas se reuniram neste domingo (7) de manhã na Praça da República, em São Paulo.

O ato ocupou ainda uma avenida próxima e foi marcado por bandeiras e faixas em favor da soberania popular e de pautas ligadas aos trabalhadores, como o fim da escala 6×1, a isenção do Imposto de Renda para os que recebem até R$ 5 mil e a taxação progressiva, chegando aos mais ricos. A mobilização defendeu ainda posição contrária à anistia e a intervenções como o tarifaço do governo Donald Trump.

“Nós enfrentamos governos de direita e nos mantivemos firmes; superamos uma pandemia e um governo neofascista, perseverando em nossos princípios; confrontamos um golpe militar e aqui estamos, na Praça da República, com altivez, para afirmar que não prevalecerão sobre nós, pois nossos movimentos não forjaram covardes, mas sim militantes sérios e engajados”, disse Gilmar Mauro, representando o Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra, um dos organizadores do ato.

“Na mesma hora, estamos ocupando as ruas e as redes para combater o ataque à nossa soberania e defender a democracia. Um novo golpe está sendo tramado, que é a anistia. E a gente tem que mostrar nas ruas que o povo não quer anistia, e estamos mostrando isso aqui hoje”, disse à Agência Brasil o deputado estadual Antônio Donato, liderança do PT na assembleia estadual.

A defesa dessas bandeiras se estendeu a programas do governo e à atuação da Justiça. Os discursos lembraram também o julgamento de Bolsonaro e dos demais envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, além de citar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e as mobilizações da direita pela anistia. Também se manifestaram contra as intervenções dos Estados Unidos no continente, como no discurso de Miguel Torres, dirigente da Força Sindical:

“Reunimo-nos nas ruas para comemorar essa conquista, mas também para reafirmar a luta contra a invasão de nosso território, a interferência estrangeira em nossa soberania, a impunidade e qualquer projeto de anistia em curso. É imperativo que, neste momento crucial, estejamos vigilantes contra políticos que negligenciam os interesses da sociedade e conspiram contra o Brasil”, afirmou Torres.

O ato bolsonarista, previsto para esta tarde também em São Paulo, foi lembrado pelos presentes, em discursos e nas entrevistas à imprensa.

“Não há democracia sem soberania. E não há democracia se for aprovada anistia, porque se aprovada é uma desmotivação para o brasileiro, para o mundo e para a Justiça brasileira. Nesse 7 de setembro, felizmente estamos numa democracia que permite tanto a nós quanto à extrema direita, aliada de Bolsonaro, se manifestar na Paulista, e nós na Praça da República. Se dependesse deles, tinham dado um golpe no Brasil e nós não poderíamos nem sequer nos manifestar. Eles não reconhecem a importância da soberania, da democracia, assim como o direito da classe trabalhadora de combater as desigualdades e os privilégios nesse país”, disse à Agência Brasil Ricardo Bonfim, coordenador-geral da Central de Movimentos Populares.

Em rostos, roupas e cores, a mobilização na Praça da República teve a presença de militantes de todos os partidos de esquerda, dos mais tradicionais às novas agremiações. Uma das veteranas, Malvina Joana de Lima, pedagoga aposentada, é petista há 44 anos. Morou 580 dias na vigília Lula livre e, por isso mesmo, disse que não tem frio nem chuva que a tire das ruas, mesmo com os seus 72 anos. “Lutamos e resistimos pela nossa pátria. O Brasil é nosso, e não cabe aos de fora, ao Trump, mandar aqui. Mas, para a semana, estou preparada para fazer festa, não é possível que não se pague pelo que tentaram fazer com a nossa democracia”, afirmou.

Outra que acompanhou o ato desde o começo da manhã, Maria das Graças, auxiliar de enfermagem aposentada, considera importante sair às ruas em pleno sete de setembro: “Vim pela nossa pátria, é importante estar aqui e mostrar o que queremos. Me chamaram lá no movimento, participo do movimento de moradia, vim pois acho importante estar presente, continuar participando e lutando”.

Os ministros Luiz Marinho, do Trabalho, e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, participaram do ato, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhou os desfiles em Brasília. (Guilherme Geronymo – Ag. Brasil)

Carta Campinas

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