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Sistema antienchente de Porto Alegre não teve manutenção, órgão foi extinto e funcionários demitidos

(foto ricardo stuckert – pr)

É hora de achar os culpados. Pelo menos Porto Alegre poderia não ter sofrido com as inundações que afetam as cidades do Rio Grande do Sul. Prefeitos e governantes neoliberais, que buscam redução do Estado em benefício dos mais ricos, foram os responsáveis direto na visão de especialistas e ex-diretores da Prefeitura de Porto Alegre. Estado mínimo para a população é o que aconteceu com o Departamento de Esgotos Pluviais da cidade e demissão de funcionários.

Fernando Fan, hidrólogo da UFRGS, também afirmou que Porto Alegre inundou por falta de manutenção da prefeitura. Os sistemas antienchentes suportavam até 6 metros de água, a cheia foi de 5,30 metros. Se estivessem funcionando Porto Alegre não estaria inundada. (Vídeo ao final)

Ex-diretores do DEP e Dmae de Porto Alegre afirmam que descaso e despreparo da prefeitura causaram falhas na engrenagem de proteção. Veja trecho da reportagem do Matinal:

A história do então departamento, entretanto, começou a ter fim durante a gestão de Nelson Marchezan Júnior (PSDB).

Em dezembro de 2018, a Câmara aprovou a incorporação do DEP – à época já Divisão de Manutenção de Águas Pluviais – pelo Dmae, proposto pela prefeitura, derrubando de vez seu status de secretaria. 

Desde então, na opinião de Todeschini, Damiani e Tucci, os investimentos e a consequente manutenção do sistema de proteção decaíram, o que contribui para o atual cenário de Porto Alegre neste maio de 2024.

Todeschini aponta um esvaziamento do DEP desde a gestão José Fogaça (2005-2008) e um agravamento dele sob a administração Sebastião Melo (MDB), a quem Damiani mira as maiores críticas.

“A prefeitura foi negligente e deixou de atender às necessidades da cidade”, disse Damiani, citando problemas que ocorreram no sistema desde o ano passado.

Tucci vê na mudança de organograma do DEP um fator que acabou sendo crucial para a inundação de diversos bairros da capital.

“Em 2018 fecharam o DEP, aí a manutenção piorou muito”, apontou, salientando que tal medida passou por mais de uma gestão municipal. “As administrações aceitam o fato que não vai ter manutenção.”

Em paralelo à perda de status do DEP, a capacidade de trabalho do departamento já vinha em queda desde antes de seu fechamento, conforme levantamento da Matinal. Em 2013, sob a gestão José Fortunati (então no PDT), o DEP tinha 213 servidores ativos. Chegou a 2018, em seu último ano, com 162. (matéria completa)

Carta Campinas

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