Unicamp tem 26 docentes com deficiência (PCDs), o que representa 1,3% de toda universidade

.Por Rafael Martarello.

Apenas 1,3% dos Docentes da Unicamp são PCDs

Apenas vinte e seis docentes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) são Pessoas com Deficiência (PCDs). Esse número equivale a 1,34% do total de docentes na Universidade, que possui em seu quadro 1936 docentes. Os dados foram obtidos mediante consulta ao Serviço de Informações ao Cidadão da Universidade Estadual de Campinas.

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(foto rafael martarello)

Esse quantitativo unido ao fato de que a Unicamp tem apenas 0,2% de alunos com deficiência (PCD) matriculados, são números que fazem “Adolf Hitler sorrir no inferno”. Faço alusão à crítica às posturas de autoridades presente na música Diário de um Detento do álbum Sobrevivendo ao Inferno do Racionais Mc’s, obra obrigatória do vestibular da UNICAMP.

É necessário reconhecer que as autoridades universitárias que empreenderam uma resistência colossal à garantia de acesso de pobres e da população preta na universidade, que perseguiram organizações estudantis e servidores organizados em luta; e fingem não ver a necessidade de grupos LGBTQIA+ e PCDs têm um posicionamento que frequentemente coincide com os gostos da ideologia de supremacia da raça ariana. O Terceiro Reich assassinou e discriminou pessoas com deficiência, LGBTQIA+, sindicalistas, afrodescendentes e demais populações com foco em soviéticos e semitas (árabes e judeus).

Para bem entender isso, devemos lembrar que os setores mais influentes da classe dirigente mantém simpatia e conexões com o nazi-fascismo. Claro que o reflexo do projeto de exclusão a PCDs se dá de forma cumulativa em várias instâncias, conforme mencionado no texto anterior sobre o tema.

Entretanto, ao que versa especificamente sobre a Universidade Estadual de Campinas a principal razão, em minha opinião, passa pela safadeza do processo seletivo de contratação de docentes. Explicarei.

Para o preenchimento do quadro de docentes da Universidade abre-se um edital específico para cada vaga. Isto é, não é nem feito um edital de acordo com a necessidade de cada Instituto – que já seria péssimo -, nem mesmo os editais são pelas áreas dentro dos institutos.

Pelo levantamento feito, somente neste ano a Universidade teve 44 editais para contratação de docentes. Se fosse um único edital, por força da Lei Complementar nº 683, de 18/09/1992, teríamos 3 vagas reservadas para PCDs. Se a Faculdade de Educação, por exemplo, tivesse aberto um único edital para as 12 vagas que foram ofertadas no período discutido, teríamos 1 vaga reservada para PCD.

Desta maneira, por uma escolha a gosto da Universidade, torna-se impossível prever no edital a garantia de reserva de vaga para PCDs e para população negra.

Em um país no qual 24% da população brasileira é PCD essa sub-representação no quadro docente da universidade tem impacto direto na formação de uma sociedade mais igualitária e com cidadãos menos capacitistas. Essa sub-representação tem impacto direto no enfraquecimento do potencial da Universidade em atividades de desenvolvimento de tecnologias e de projetos de intervenção social, e por fim, essa sub-representação tem impacto direto na identificação de estudantes PCDs com seus docentes, fato este potencializador do processo pedagógico.

Não posso finalizar sem dizer que ser Pessoa com Deficiência é estar impedida do direito de ser igual, é ser impedida de obter os trabalhos medianos e os de melhor colocação, é ser constantemente impedida de se escolarizar, de ter lazer e de ter convívio social. Ser PCD é habitar em um mundo que não se comunica da mesma forma que você, é ser constantemente limitado pelas construções arquitetônicas e instrumentais, é passar por estigmas, estereótipos, desrespeitos por estar fora do padrão social. É, em resumo, uma vida semi-encarcerada.

POR UMA UNICAMP MAIS INCLUSIVA, COTAS PARA PCDs JÁ!

*Questionada para comentar a questão, a UNICAMP não se manifestou.


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