Personagem criada pelo cartunista Aroeira, Niara foi atacada por defensores da taxação de pobres e classe média, por defensores da desigualdade social e do abismo econômico, que gera violência e ignorância nas sociedades contemporâneas. Veja a história abaixo e conheça a Niara – Veja o livreto da Niara
Do BdF
Professor é criticado por usar em sala material da Campanha Tributar os Super-ricos
Após uma advogada polemizar e atacar nas redes sociais um professor do Distrito Federal que usou em sua aula de sociologia no ensino médio o livreto da Niara, material pedagógico que traz a mascote da Campanha Tributar os Super-ricos, dirigentes de várias entidades que compõem a campanha manifestaram repúdio, nesta quarta-feira (27), ao ataque à liberdade de cátedra, que consideram “uma prerrogativa fundamental da democracia”.
A cartilha tem 60 páginas e traz tirinhas da Niara, personagem adolescente negra que explica as distorções tributárias no país e as injustiças disso advindas.
“O ataque desferido contra as propostas de justiça fiscal e social, representadas pela personagem Niara, bem como a um professor do Ensino Médio do Distrito Federal que disponibilizou o livreto para a reflexão de seus alunos, é um ataque a milhões de pessoas invisibilizadas pela narrativa de meritocracia e de idolatria à super riqueza num dos países mais desiguais do mundo”, afirma a nota da campanha.
O texto é assinado pelo Instituto Justiça Fiscal (IJF), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Sindicato Carioca dos Fiscais de Renda (Sincaf/RJ) e o Sindifisco Nacional – Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil.
A nota explica que a personagem foi criada em dezembro de 2020 pelo cartunista Renato Aroeira para traduzir de forma didática a estrutura tributária nacional, divulgar as propostas que corrigem as distorções e construir consciência cidadã.
“Por meio das histórias semanais, publicadas todas as sextas-feiras nas redes da campanha, a adolescente Niara reflete sobre a dura realidade nacional e mundial utilizando dados científicos, demonstra formas de promover justiça fiscal e tributar grandes fortunas e altas rendas, como orienta a própria Constituição Federal de 1988”, pontua.
Após a polêmica chegar ao conhecimento de deputados da direita, o tema chegou a ser debatido na Câmara Legislativa. Em nota, a Secretaria de Educação do DF, sob o governo de Ibaneis Rocha (MDB), acusou o uso do material em sala de aula de fazer “apologia política” e disse que “repudia um ato como esse e informa que não permitirá proselitismo político de nenhuma espécie nas escolas públicas do DF”. A pasta encaminhou o caso à corregedoria.
A coordenação da campanha Tributar os Super-ricos acredita que os ataques são mais uma forma de tentar evitar mudanças fundamentais para tirar o Brasil da posição de país que mais concentra renda no mundo. “Estudos científicos nacionais e internacionais demonstram que as grandes riquezas são isentas ou subtributadas no Brasil e que proporcionalmente os pobres pagam mais tributos. Mostrar e discutir isso em sala de aula é assim tão assustador?”, diz a nota.
Ao Correio Braziliense, o cartunista Aroeira manifestou espanto e preocupação com a polêmica. “É uma coisa natural essa maneira unipolar de pensar no Brasil, o que leva ao exagero. Estão batendo na coisa errada, colocando pessoas para vilipendiar o professor. O problema é cognitivo”, disse, ponderando que a proposta de tributar os super-ricos vem sendo defendida em vários países.
“Não compreenderam o que queremos com a personagem da cartilha, mas conheço a metodologia dos caras. Vão perseguir os mais fracos”, acrescentou. (Do Brasil de Fato)
Confira a nota na íntegra
NOTA DE REPÚDIO
A coordenação da Campanha Tributar os Super-Ricos repudia a polêmica criada por uma advogada no Distrito Federal sobre o livro contendo as histórias em quadrinho da personagem Niara, e sua utilização como material pedagógico para explicar as desigualdades e a injustiça fiscal no Brasil. A liberdade de cátedra é uma prerrogativa fundamental da democracia. Ensinar a pensar exige promover reflexões permanentes sobre a atualidade.
O ataque desferido contra as propostas de justiça fiscal e social, representadas pela personagem Niara, bem como a um professor do Ensino Médio do Distrito Federal que disponibilizou o livreto para a reflexão de seus alunos, é um ataque a milhões de pessoas invisibilizadas pela narrativa de meritocracia e de idolatria à super riqueza num dos países mais desiguais do mundo.
A personagem Niara foi criada em dezembro de 2020 pelo cartunista Renato Aroeira para traduzir de forma didática a estrutura tributária nacional, divulgar as propostas que corrigem as distorções e construir consciência cidadã.
Por meio das histórias semanais, publicadas todas as sextas-feiras nas redes da campanha, a adolescente Niara reflete sobre a dura realidade nacional e mundial utilizando dados científicos, demonstra formas de promover justiça fiscal e tributar grandes fortunas e altas rendas, como orienta a própria Constituição Federal de 1988.
A qualidade da informação e a forma lúdica de tratar temas complexos com desenhos de humor produzidos por um dos maiores cartunistas do país, foi ganhando simpatia e, em dezembro de 2021, as tirinhas foram compiladas e viraram um livreto. O cartunista acaba de receber o troféu Angelo Agostini de “Mestre dos Quadrinhos” pelo conjunto da sua obra, mas principalmente pelos quadrinhos da Niara.
Estudos científicos nacionais e internacionais demonstram que as grandes riquezas são isentas ou subtributadas no Brasil e que proporcionalmente os pobres pagam mais tributos. Mostrar e discutir isso em sala de aula é assim tão assustador?
Os ataques são mais uma demonstração da tentativa de evitar mudanças fundamentais para tirar o Brasil do triste ranking de país que mais concentra renda no planeta.
A escola é lugar para gerar cidadania. Propiciar informações de qualidade, gerar reflexões e pensamento crítico é dever de todo educador e do Estado brasileiro. Não é lugar de censura para defender visões parciais e doutrinárias que reproduzem a hegemonia do mercado e o acúmulo de capital em detrimento da exploração de milhões de pessoas.
Uma sociedade é mais desenvolvida e soberana com cidadãos conscientes, com informação plural e liberdade de cátedra. A promoção da justiça fiscal e da igualdade social jamais deveria ser motivo de crítica e falsas polêmicas. É inadmissível constranger educadores e invocar censura e controle a quem semeia conhecimento e cidadania. Estas críticas infundadas apenas reforçam a necessidade iminente de aprovar mudanças para gerar um país mais justo e solidário.
Brasília, 27 de abril de 2022
Instituto Justiça Fiscal (IJF)
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
Sindicato Carioca dos Fiscais de Renda (Sincaf/RJ)
Sindifisco Nacional – Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil
Conheça a Campanha e todas a entidades participantes: www.ijf.org.br/tributar-os-super-ricos/
(foto global sumud flotilla) A Justiça condenou o vereador de Campinas Vini de Oliveira (Cidadania)…
Professora e intérprete de Libras Michelle Gonçalves Dinamarco, vencedora do concurso em 2025 (imagem divulgação)…
(imagem divulgação) Coletivo de fortalecimento feminino através da literatura marca presença no Flipoços 2026 com…
Bosque dos Jequitibás (foto rogério capela - arquivo pmc) Um Projeto de Lei Ordinária (PLO)…
(foto pedro frança - senado federal) O Bolsonarinho 01 (PL) , o filho mais velho…
(foto nina pires - divulgação) A Casa do Sol, em Campinas, se transforma novamente em…