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‘YouTube incentiva pessoas a disseminarem desinformação climática”, constata pesquisador

“O YouTube está basicamente incentivando as pessoas a disseminarem desinformação”, avalia Joachim Allgaier, pesquisador e doutor em comunicação e sociedade digital na universidade alemã Hochschule Fulda em reportagem de Laura Scofield e Matheus Santino para a Agência Pública. Allgaier fez um estudo em 2019 sobre o negacionismo climático no YouTube e identificou que “a maioria dos vídeos” analisados trazia “visões de mundo opostas ao consenso científico”, incluindo a negação do aquecimento global antropogênico e teorias de conspiração.

Joachim Allgaier (foto de vídeo – hochschule fulda)

A reportagem da Agência Pública mostrou que quem busca por “aquecimento global” na barra de pesquisa do YouTube recebe vídeos negacionistas e com informações erradas sobre a mudança climática, mesmo que o tema já seja consenso entre cientistas da área e o próprio YouTube já reconheça que as atividades humanas contribuem para o fenômeno. Ou seja, o YouTube está violando suas próprias regras, além de ganhar dinheiro e financiar atividades negacionistas.

A reportagem ainda relata que para o pesquisador Joachim Allgaier, alguns vídeos do You Tube criam uma “falsa equivalência”. “Geram a impressão de que a opinião de alguns cientistas minoritários é tão importante quanto a opinião de muitos, muitos e muitos milhares de cientistas especialistas no tema”, explicou à reportagem. Um estudo publicado em 2013 na Environmental Research Letter mostra que 97,1% dos artigos que abordaram a influência humana nas mudanças climáticas em 20 anos de produção científica garantiram que ela afeta o clima mundial”, anotam.

Até a emissora bolsonarista e de extrema direita, Jovem Pan, estaria monetizando vídeos com conteúdo negacionista no YouTube. “Com 290 mil visualizações, o vídeo Ricardo Felício: Aquecimento global serve para mascarar os problemas da humanidade, publicado pelo canal Pânico Jovem Pan em 23 de julho de 2019, também se destaca. Nele, o meteorologista critica o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) por supostamente mostrar apenas “o pior” cenário “para ameaçar as pessoas”. Nos últimos anos, a Jovem Pan tem sido criticada pelo alinhamento ao bolsonarismo e pela disseminação de informações falsas sobre a pandemia de covid-19. A monetização do canal do Pânico gera entre US$ 5,2 mil e US$ 82,4 mil, o equivalente a R$ 25 mil e R$ 398 mil por mês”, anota a reportagem.

Veja texto completo AQUI.

Carta Campinas

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