Brasil tem aumento de intoxicação por agrotóxico e governo Bolsonaro altera sistema de vigilância

A professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Silvia do Amaral Rigon, confirmou em audiência no Senado que há no Brasil um aumento de intoxicação crônica e aguda em decorrência do uso de agrotóxico e, mais grave, ela chamou atenção para a mudança de metodologia no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), uma ação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), coordenado pela Anvisa. Apesar de seu reconhecimento nacional e internacional, o programa tem sido modificado pelo governo.

(imagem ilustr. goleditormonitor – ccl)

“Fui buscar a atualizaçao dos dados do PARA para trazer dados para esta audiência. Meu espanto foram essas últimas modificações na forma e desenvolvimento que ocorreram no programa. Houve uma modificação na metodologia no programa de monitoramento”, apontou Silvia Rigon.

O governo Bolsonaro, que defende o uso de informações mentirosas publicamente, pode estar usando a mesma tática que usou contra o desmatamento da Amazônia, alterando formas de controle para evitar a divulgação real do que está acontecendo.

A pesquisadora lembrou que o Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. A maior parte é usada em lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar nas regiões Sul, Centro-Oeste e em São Paulo. De acordo com a professora, apenas cinco dos maiores produtores respondem por mais de 50% dos agrotóxicos consumidos no Brasil. A professora também chamou atenção para o aumento de suicídios relacionados aos agrotóxicos utilizados na lavoura de fumo na Região Sul.

Para o senador Fabianon Contarato (Rede-ES), o meio ambiente brasileiro tem sofrido um “ataque sistematizado”, que se torna ainda mais claro no caso do uso dos agrotóxicos, disse Contarato. Ele mencionou que o uso desses produtos no Brasil cresceu 25% nos últimos 5 anos, sendo um dos mercados que mais se desenvolve no mundo, “sem ter havido relação entre o aumento do uso e o crescimento da produção das lavouras”. Já são cerca de 2.300 defensivos registrados, observou. (Com Informações da Agência Senado)

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