Velha Companhia fala de inconsciente e memória, país e infância em ‘Casa Submersa’

Fica em cartaz até o dia 22 de setembro no Espaço Cênico do Sesc Pompeia o espetáculo “Casa Submersa”, com a Velha Companhia.

(Foto Nelson Kao)

Depois de Cais ou Da Indiferença das Embarcações e Sínthia, espetáculos que tiveram longas temporadas e receberam vários prêmios, Casa Submersa é a peça que encerra a Trilogia das Águas de Kiko Marques. A pesquisa de criação do texto, que teve início dentro da comemoração dos quinze anos da Velha Companhia no Sesc Pompeia em abril de 2018, agora conta com o apoio do Sesc e da Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo para produção e estreia do espetáculo.

O espetáculo é um fechamento da pesquisa que começa em Cais… numa ilha do Estado do Rio, nos vais e vens das marés e dos barcos, passando pelas águas paradas e pútridas do autoritarismo e repressão em Sínthia e chegando ao inconsciente de um Brasil submerso representado por uma casa habitada no fundo de um oceano.

Uma bióloga marinha começa a fazer viagens para fatos marcantes da memória, com visitas ao inconsciente durante suas crises de apneia. Para que possa emergir novamente, ela vai ter que enfrentar o passado do seu país e da sua própria infância, no mergulho mais longo e perigoso da sua vida. 

“Era uma água cor de chá, talvez um rio do norte do país, talvez um lago artificial em Brasília. Eu estava dentro dela. Só a cabeça de fora. Sabia somente que precisava visitar uma casa no fundo dessa água. Tomava bastante fôlego e começava a descer. Era muito fundo. Subitamente começava a ver o telhado, a cerca… Havia uma casa no fundo e vida na casa. E eu precisava sabê-la. De alguma forma emergi-la.”

“Casa Submersa” nasce desse sonho que tive, dois anos atrás; da ideia de escrever uma “Trilogia das águas”, que surgiu quando comecei a escrever “Cais, ou Da Indiferença das Embarcações”, há seis anos atrás; da certeza de que, feita, a trilogia findaria no fundo de alguma água, em algum inconsciente, pessoal ou coletivo; e de uma história sobre uma língua cortada, em um país submerso, contada e recontada muitas vezes, por muita gente”, escreve Kiko Marques.

A “Casa Submersa” é uma peça da Velha Companhia, grupo paulistano fundado por Kiko Marques, Alejandra Sampaio e Virgínia Buckowski, que trabalha desde 2003 com montagens que partem ora de uma dramaturgia elaborada pelo autor da companhia, criada a partir da sala de ensaio através de estudos, palestras e improvisações sobre um tema, ora de outros textos e autores que de certa maneira dialoguem com sua linha de pesquisa. Seus espetáculos mais recentes como Cais ou Da Indiferença das Embarcações, Sínthia e Valéria e os Pássaros, geraram centenas de empregos diretos e indiretos, tiveram longas temporadas e passaram por várias cidades do país, além de terem recebido prêmios como Shell, Apca, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil.

Os ingressos variam de R$ 6 a R$ 20 e podem ser adquiridos apenas nas bilheterias das Unidades. Mais informações no Portal do Sesc. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Ficha Técnica:

Texto e Direção: Kiko Marques

Elenco (ordem alfabética)

Adriana Dham
Alejandra Sampaio
Ana Negraes
Bruno Menegatti
Kiko Marques
Leonardo Fernandes
Marcelo Diaz
Marcelo Marothy
Patricia Gordo
Rodrigo Vellozo
Sandra Nanayna
Valmir SantAnna
Virgínia Buckowski
Willians Mezzacapa

Cenografia e Desenho de Luz: Marisa Bentivegna
Figurinos: João Pimenta
Trilha Sonora Original/Músico do espetáculo: Bruno Menegatti
Direção de produção: Alejandra Sampaio e Virgínia Buckowski
Produção executiva: Marcela Büll
Assistente de direção: Mateus Menezes
Idealização do projeto: Velha Companhia

Duração: 2h40. 15min de intervalo. 

Local: Espaço Cênico

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