Taxa de desmatamento do Cerrado é maior do que a da Amazônia e quase 50% já foi destruído

Como parte da programação do 9º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, realizado em Brasília, pesquisadores e ativistas participaram de um debate sobre a atual situação do bioma, principalmente da perspectiva da preservação socioambiental – ou da falta dela. 

(foto josé cruz – ag brasil)

Por parte dos pesquisadores, as falas se concentraram na fragilidade do cerrado e sua ausência no debate público. Donald Sawyer, pesquisador que acompanha o cerrado há 50 anos e integrante do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), qualificou a região como “bioma invisível”. 

“Preocupa muito a intensificação dos problemas. Bem como a ausência ou descontinuidade de soluções para o bioma mais atacado e menos amparado. A preocupação global com o fogo na Amazônia apagou o cerrado. A Amazônia é importante, mas o cerrado também”, comparou. 

Sawyer explicou que o desmatamento no cerrado, quando comparado com o amazônico, é “menor em termos absolutos, mas é maior em termos acumulados”.

Ou seja, o tamanho das áreas desmatadas no cerrado é menor, mas –  dado que o bioma é duas vezes menor que a Amazônia e que quase metade dele já foi devastado – seu peso e impacto proporcional são maiores. Para ele, dada a conjunta política, caberá aos ativistas pressionar prioritariamente governos estaduais e municipais, buscando também cooperação internacional. 

Anne Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), entidade que faz parte da iniciativa MapBiomas, corroborou essa visão, apontando que nos últimos 34 anos a taxa de desmatamento do cerrado foi a maior do Brasil. 

“Nos últimos anos, o cerrado é o bioma mais ameaçado do Brasil, 56% do cerrado é coberto por vegetação nativa. Isso representa quase 20% da vegetação no Brasil.  O cerrado perdeu mais vegetação nativa em termos de taxa. O aumento da agricultura de larga escala foi maior”, afirmou com base em dados de geo-referenciamento coletados pelo MapBiomas. 

O último ponto trazido por Alencar, a agricultura de larga escala, se desdobra em uma forte correlação nos dados: no período mencionado, o cerrado perdeu 29 milhões de hectares de terras nativas, enquanto ganhou 28 milhões de hectares destinados a atividades agropecuárias. (Rafael Tatemoto – Brasil de Fato)

Recent Posts

Com shows gratuitos de Luciana Mello e Nega Duda, Festival Tereza de Benguela celebra as mulheres negras

(foto divulgação) A cantora Luciana Mello é uma das atrações da terceira edição do Festival…

7 hours ago

O armário de Tarcísio e o caos em SP com privatização de serviços básicos

(imagem - chatgpt e govsp) As explosões dos trens das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade,…

11 hours ago

Duo apresenta concerto inspirado no Movimento Armorial, de Ariano Suassuna

O concerto “Armoriando”, com a violinista Ana de Oliveira e o violonista e compositor Sérgio…

11 hours ago

Conselhos do Meio Ambiente de Valinhos e Campinas se unem pela Fazenda Remonta

As conselheiras Tereza Araújo e Juliana Freitas durante reunião do CMMA de Valinhos/SP, no dia…

16 hours ago

Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo está de volta a Campinas com seu rock experimenal

(foto divulgação) A banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo traz sua mistura…

18 hours ago

Exposição retrata as transformações de Campinas em fotos e pinturas

Catedral de Campinas em imagem que faz parte da mostra (foto Osvaldo Furiatto - divulgação)…

18 hours ago