Mais ligações aparecem entre milicianos acusados de homicídios e extorsão e a família Bolsonaro

A cada dia crescem as proximidades entre a família Bolsonaro e criminosos de alta periculosidade ligados a milícias do Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira foi revelado em reportagem de O Globo que o acusado de matar a vereadora do PSOL Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, o ex-policial Ronnie Lessa, fez pesquisas na internet sobre um desafeto de Flávio Bolsonaro.

(foto josé cruz – agencia brasil)

Em julho de 2017, após a imprensa revelar um atrito entre o então deputado Flávio Bolsonaro (PSL) e o professor da rede estadual Pedro Mara, o acusado de assassinar Marielle, Ronnie Lessa fez uma pesquisa querendo saber mais detalhes sobre Pedro Mara, diretor do Ciep 210, em Belford Roxo.

Ronnie Lessa é o denunciado por ter atirado em Marielle e, coincidentemente, mora no mesmo condomínio que Bolsonaro.

Em reportagem, a revista Carta Capital elencou uma série de relações, além dessas duas:

Em 2003, Jair Bolsonaro, então deputado, usou os microfones da Câmara para defender grupos de extermínio. A fala foi uma resposta a um deputado baiano que assumira a existência de esquadrões no estado. Na ocasião, Bolsonaro disse que como no Brasil não tem pena de morte, esses grupos são úteis e teriam seu apoio.

Em 2011, na época do assassinato da juíza Patrícia Acioli por milicianos, Flávio Bolsonaro usou seu perfil no Twitter para difamar a magistrada, que segundo ele “humilhava” os réus, e com isso “deve ter criado muitos desafetos”.

O apreço de Flávio aos grupos paramilitares já era conhecido. Em 2007 o deputado defendeu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que as milícias fossem reconhecidas legalmente como segurança das comunidades. Em 2015, foi o único deputado a votar contra a abertura de uma CPI para apurar crimes cometidos por policiais.

O mesmo barulho não foi feito pelos Bolsonaros quando a notícia da morte de Marielle e Anderson irrompeu o noticiário, repercutindo internacionalmente e levando milhares de pessoas às ruas. Jair Bolsonaro foi o único pré-candidato à presidência a não prestar condolências.

Durante a campanha presidencial de 2018, dois candidatos do PSL, partido dos Bolsonaros, rasgaram ao meio uma placa de rua com o nome de Marielle, colocada no Centro do Rio em homenagem à vereadora morta. Um deles, Rodrigo Amorim, se elegeu, e emoldurou a placa rachada em seu gabinete. Na época, Flávio Bolsonaro saiu prontamente em defesa da dupla, afirmando que eles “nada mais fizeram do que restaurar a ordem”.

Já neste ano, o caso COAF revelou que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, fez movimentação atípica de 1,233 milhão entre 2016 e 2017. O órgão descobriu que, além do lote milionário, passaram também pela conta corrente do assessor de Flávio 5,8 milhões de reais nos dois exercícios imediatamente anteriores. Um novo relatório aponta que Flávio recebeu 96 mil reais em 50 depósitos fracionados. O deputado alega que o dinheiro vivo é fruto da venda de um imóvel.

Antes de se internar no hospital Albert Einstein, em 20 de dezembro de 2018, Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, dominada pela milícia.

O incômodo de Flávio Bolsonaro com Marielle salta aos olhos. Mais uma vez, foi o único parlamentar a votar contra a concessão da medalha Tiradentes à vereadora.

Já Carlos Bolsonaro, filho do meio e mais reservado do presidente, não conseguiu esconder seu descontentamento com a escola de samba campeã do Carnaval carioca em 2019. Fazendo o uso habitual das redes sociais, afirmou que a Mangueira tem envolvimento com milícias. A escola homenageou Marielle e outros heróis negligenciados pela história. Vale ressaltar que os acusados da morte de Marielle tem ligações com milícias.

Pressionado sobre as relações da família com possíveis executores de Marielle e Anderson, Eduardo Bolsonaro, que até agora não tinha se somado à lista, afirmou: “Ninguém conhecia quem era Marielle Franco antes de ela ter sido assassinada.” (Link)

Além dessas coincidências apontadas pela revista, o gabinete do senador eleito e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou até novembro do ano passado a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega , tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime , organização suspeita do assassinato de Marielle Franco.

Em setembro de 2018, foram presos os irmãos gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, policiais militares que participavam de agendas da campanha do deputado estadual Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo PSL do Rio Os PMs estão entre os 46 suspeitos que tiveram prisão decretada na Operação Quarto Elemento, deflagrada pelo Ministério Público Estadual em 30 de agosto, que investiga uma quadrilha de policiais especializada em extorsões. Nas semanas que antecederam a prisão, eles acompanharam Flávio dando apoio de segurança nos eventos de campanha.

O delegado da Polícia Giniton Lages confirmou durante entrevista que um dos filho de Bolsonaro namorou a filha de Ronnie Lessa, principal acusado da morte de Marielle Franco.

Presídio

Na quinta-feira, 14, a Justiça decidiu que os dois acusados pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes vão ser transferidos para um presídio federal. O pedido foi feito nesta quinta-feira (14) pelo Ministério Público (MP).

De acordo com a assessoria do MP, a motivação do pedido foi ligada à questão de segurança pública. O presídio federal que receberá o ex-sargento da Polícia Militar Ronnie Lessa e o também ex-PM Élcio Queiroz será definido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Eles estão presos desde o dia 12 na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca. (Carta Campinas com informações da Agência Brasil e Carta Capital)

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