Brasileiros mais ricos saem da crise e gastam R$ 60 bilhões em viagens ao exterior

Os brasileiros de maior poder aquisitivo já saíram da crise, indicando que o fosso da desigualdade está aumentando no Brasil.

Enquanto a população perde direitos sociais básicos, os gastos no exterior em viagens feitas pelos mais ricos chegaram a US$ 19 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões) em 2017, informou hoje (26) o Banco Central (BC). A despesa é a maior desde 2014, quando foram gastos em viagens ao exterior US$ 25,6 bilhões.

Parte desses recursos podem ter sido provenientes de sonegação de impostos e corrupção. Os esquemas revelados pelo ministério público da Suíça mostraram que corruptos e suas famílias usam cartões de empresas que recebiam recursos de corrupção proveniente do Brasil. Mesmo assim, a Lava Jato inocentou mulheres de políticos que torravam dinheiro da corrupção na Europa.

As receitas, ou seja, gastos de estrangeiros em viagens ao Brasil foram US$ 5,8 bilhões, menor que os gastos dos brasileiros. Com isso, o saldo em viagens ficou negativo no ano passado, chegando a um déficit US$ 13,2 bilhões. Trata-se também do maior saldo negativo desde 2014, quando essa conta fechou com um déficit de US$ 18,7 bilhões.

Os dados das viagens internacionais fazem parte da conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) das transações correntes.

No ano passado, os serviços fecharam com um déficit de US$ 33,8 bilhões, o maior desde 2015, quando chegou a US$ 36,9 bilhões negativos.

“A maioria das rubricas de serviços têm apresentado crescimento de déficit, mostrando, de fato, que é disseminada uma maior demanda por serviços importados”, diz o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha. A conta de serviços faz parte das transações correntes, ou seja, as contas externas do país, que em 2017 fecharam com saldo negativo.

O déficit em transações correntes, que são as compras e as vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do país com o mundo, ficou negativo em US$ 9,8 bilhões. O déficit, é o menor desde 2007, quando o país registrou saldo positivo de US$ 408 milhões. (Carta Campinas com informações da Agência Brasil)

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