Por Iara Maria

saoquirino01Sou moradora do Parque São Quirino, uma das áreas atingidas pelas microexplosões que afetaram parte de Campinas no fim de semana.
O evento, que está sendo amplamente divulgado pela grande mídia, mostra bairros e casas de uma classe social que dificilmente é afetada por tragédias naturais. Isso gerou uma grande e válida comoção em torno de algo tão inédito. A cidade e o poder público se mobilizam neste exato momento para reparar os estragos.

Porém, algo parece discrepante para nós, periféricos.
O Parque São Quirino, que conhecidamente era palco de grandes catástrofes por decorrência das enchentes que atingiam a população que ocupavam as margens do rio, hoje, 7/06, ainda sofre com o atraso da vinda do poder público para ceder o mínimo de assistência em decorrência da tempestade.
As micro explosões afetaram duramente uma população menos favorecida que hoje se encontra aquém da comoção que mobiliza toda uma cidade.saoquirino02

Atualmente existem duas famílias desabrigas, várias casas foram duramente danificadas pelas fortes chuvas e os riscos de desabamentos são reais. Apenas ontem a iluminação chegou ao local. Os escombros ainda estão espalhados pelas calçadas acumulando lixo e tornado o local ainda mais vulnerável. Até ontem, várias famílias estavam ilhadas em suas casas.
O rompimento de um duto subterrâneo de água escava lentamente uma grande cratera que poderá condenar ainda mais moradias no local. Nosso Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Anhumas,  está completamente destruído.
Os materiais de construção além de escassos estão super inflacionados, o que dificulta o acesso a eles tornando ainda mais árduo preservar o que sobrou dos estragos. O silencio por grande parte da mídia é assustador.
Mais uma vez estamos sós, contando com nossas próprias forças para superar mais uma tragédia.

Veja vídeos: