Por Eduardo de Paula Barreto
Vejo pessoas alegres
Ao lado de um caixão
Com celulares e tablets
Em suas ágeis mãos
E no interior do féretro
Vários mortos gélidos
Atraindo os olhares
Daqueles curiosos
Que fotografam o velório
Com os seus celulares.
Entre os mortos encontro
Muitos livros de papel
E vinis bem redondos
Que já tocaram Gardel
E várias máquinas de escrever
Que morreram antes de nascer
O avanço tecnológico
E uma porção de canetas
Mortinhas com suas tintas secas
Bem como relógios analógicos.
Morreram os jornais
Que eram impressos
E as revistas semanais
Morreram sem sucesso
A TV teve morte súbita
E apesar da música
Morreram o rádio e a fita cassete
E quando alguém perguntou:
Quem foi que os matou?
Um blogueiro disse: A Internet.
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