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Um imaginário africano: elefantes, barrados e mulheres na obra de Júlia Cardia

Africanas-monotipia em acrílico com aquarela-2006

Neste mês de setembro, o projeto Carta Campinas Visuais apresenta um pouco da obra artística de Júlia Cardia.

Com cores, formas e representações bem características, uma parte importante da obra de Júlia se destaca por um diálogo com o continente africano. Suas telas nos revelam elefantes em variados tons, formas e posições, barrados étnicos típicos do lugar e, de forma bastante expressiva, algumas mulheres.

Júlia começou a desenhar na adolescência. No início, com grafite, depois, com carvão. “Gostava de fazer rostos, copiar fotografias de parentes e amigos”, diz ela. Com o tempo, passou a desenhar pessoas negras cujas expressões a fascinavam não só pela beleza como também pela força e sofrimento.

Por volta de 1990, descobriu a aquarela, e o carvão dos primeiros trabalhos foi substituído pelas aguadas coloridas. “Sugiram então as africanas, uma série de mulheres onde foquei mais no vestuário do que nos rostos. E sempre salientando o aspecto da pobreza e sofrimento”, completa Júlia.

Africanas-monotipia em acrílico com aquarela-2006

A partir daí, a África, aos poucos, foi entrando no seu trabalho, ganhando uma força própria entre os barrados étnicos, elefantes, zebras e galinhas d’angola que passaram a fazer parte das telas em acrílico, do guache, das gravuras e da cerâmica.

As cores terrosas, os tons de ocre, marrom e preto, as preferidas da artista até hoje, são outra presença constante em seus trabalhos, conferindo-lhes, ao lado das figuras neles representadas, um estilo próprio que não deixa de abrir-se a novos caminhos. “Ultimamente ando um pouco mais colorida e tomando fôlego para me aventurar em formatos maiores, sempre em papel, que é o que mais gosto”, revela Júlia.

Simples e, ao mesmo tempo, atenciosos em relação aos detalhes, os trabalhos de Júlia deixam-se atravessar por toda beleza, riqueza e resistência cultural próprias do continente africano, de modo que este último parece impregná-los de sua multiplicidade ainda tão pouco conhecida (e, na maioria das vezes), ignorada por nós. (Maura Voltarelli)

Africanas – aquarela – 2003
Sem título – aquarela
Da série Elefantes – ecoline e colagem

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