Ministério Público acusa Teatro Oficina de ‘crime contra o sentimento religioso’

O diretor José Celso Martinez Corrêa, e os atores Mariano Mattos Martins e Antônio Carlos da Conceição Reis (Tony Reis), todos da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, estão sendo intimados para nova audiência no caso movido pela Justiça Pública de São Paulo que acusa artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona de “crime contra o sentimento religioso”.

A acusação teve origem na apresentação de uma cena teatral vivida pelos três artistas na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 2012, baseada em texto de Bertolt Brecht, atendendo a convite de dirigentes, professores e alunos da PUC/SP – que, em greve, manifestavam-se contrários à decisão arbitrária dos mantenedores da Universidade de empossar o reitor que se classificou em 3º lugar na disputa, ao invés de acatar a eleição democrática.

O trecho apresentado na PUC na ocasião fazia parte do musical “Acordes”, que então era encenado no Teatro Oficina com direção de Zé Celso.  Baseada em texto adaptado de Bertolt Brecht, a peça refletia sobre o autoritarismo e o papel da multidão dentro do contexto das mudanças.  Diante da solicitação de uma adaptação do trecho da peça para refletir de forma mais próxima a realidade de autoritarismo vivida na universidade, Zé Celso, ex-aluno da PUC-SP, modificou a figura do autoritarismo, representada na peça original pelo boneco Sr. Smith, pela figura de um religioso que, no texto original, é mutilado e, ao final, decapitado – como alegoria à necessidade de se rebelar contra o autoritarismo.

A cena teatral foi interpretada na ocasião pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz como uma tentativa de escarnecer da fé católica ou zombar de objetos religiosos. Ele então encaminhou abaixo-assinado para o Procurador Geral de Justiça de São Paulo, requerendo instauração de inquérito policial para apuração de eventuais crimes que pudessem ter sido cometidos.

Em 5 de novembro de 2014, os artistas foram intimados para uma audiência preliminar e ouviram do promotor Dr. Matheus Jacob Fialdini acusações como a de que estavam (na cena vivida na PUC em 2012) se escondendo através do Teatro para dizer impropérios e incitar a violência.

Como bem disse Zé Celso, “o teatro não é um esconderijo da violência, como define o promotor do Fórum da Barra Funda, mas um lugar onde essa senhora é escancarada com arte e palavras poéticas”.

Como os artistas não aceitaram a proposta de transação penal feita pelo promotor, eles voltam agora para mais uma audiência, que pode implicar em pena de até um ano de detenção.

Veja mais detalhes sobre o caso AQUI.

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