Willer Tomaz, o amigo de 5 bilhões de reais de Flávio Bolsonaro

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O advogado Willer Tomaz de Sousa construiu uma trajetória profissional que o levou de pequenos negócios no Distrito Federal a uma rede de relações com empresários, políticos e integrantes do Judiciário. Seu nome ganhou projeção nacional em 2017, quando foi preso no âmbito da Operação Patmos, ligada às investigações decorrentes da delação da JBS. Anos depois, voltou ao centro do noticiário por investigações envolvendo apostas on-line e suspeitas de lavagem de dinheiro, além de sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Reportagens publicadas em outubro de 2026 apontam que a relação entre os dois ultrapassa encontros sociais: há registros de viagens internacionais, conexões empresariais e atuação profissional em processos judiciais. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas a negócios de apostas e possíveis vínculos financeiros.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo em outubro de 2026, Tomaz iniciou sua trajetória empresarial com uma loja de computadores em Taguatinga, no Distrito Federal, em 1999. Ao longo dos anos, ampliou sua atuação para diferentes setores, incluindo advocacia, comunicação, mineração, turismo, imóveis e apostas esportivas.

No meio jurídico, tornou-se conhecido pela atuação em causas empresariais e por sua circulação entre pessoas influentes nos tribunais superiores. Essa rede de contatos passou a ser observada com mais atenção em 2017, quando investigações sobre a relação entre a JBS e integrantes do sistema de Justiça colocaram o advogado sob suspeita.

O crescimento de seus negócios e sua aproximação com políticos de diferentes partidos também passaram a fazer parte das reportagens sobre sua atuação.

Em 18 de maio de 2017, o amigo de Flávio Bolsonaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Patmos, desdobramento das investigações relacionadas à colaboração premiada de Joesley Batista, um dos controladores da JBS.

O caso envolvia suspeitas de que o procurador da República Ângelo Goulart Villela teria recebido dinheiro para fornecer informações sigilosas sobre a Operação Greenfield, que investigava irregularidades envolvendo fundos de pensão e empresas privadas.

Segundo o relato de Joesley Batista, Tomaz teria atuado na aproximação entre a JBS e o procurador. O empresário afirmou que seu grupo contratou o escritório do advogado por R$ 8 milhões e que haveria pagamentos adicionais associados à obtenção de informações e ao andamento das investigações.

Há quase 10 anos, o amigo de Flávio Bolsonaro foi acusado de corrupção ativa, violação de sigilo e obstrução de investigação de organização criminosa.

Em agosto de 2017, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal determinou a substituição da prisão preventiva de Tomaz por medidas cautelares. A decisão ocorreu após empate na votação, com dois ministros favoráveis à soltura e dois contrários. Portanto, a libertação não significou, por si só, absolvição das acusações.

A relação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro ganhou visibilidade a partir de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Naquele período, o advogado atuou na defesa de Marcelo Álvaro Antônio, então ministro do Turismo, investigado por suspeitas de uso de candidaturas femininas fictícias nas eleições de 2018.

Recentemente, a Polícia Federal descobriu que Willer Tomaz é um sócio oculto de Flávio Bolsonaro, visto que Flávio era quem administrava as contas de uma empresa em nome de Tomaz.

Em 2021, durante a CPI da Covid no Senado, Flávio referiu-se publicamente a Tomaz como amigo. O próprio advogado reconheceu a amizade, afirmando que também mantinha relações pessoais com senadores de outros grupos políticos.

A proximidade entre os dois voltou a chamar a atenção em razão de viagens internacionais, negócios e relações profissionais identificadas por reportagens recentes. A questão central passou a ser se os vínculos se limitam à amizade ou se também envolvem interesses empresariais e financeiros.

Reportagens de setembro e outubro de 2026 apontaram diferentes episódios que ajudam a dimensionar essa proximidade:

  • Viagens internacionais: Flávio e Tomaz viajaram juntos em aeronaves executivas, inclusive em deslocamentos internacionais com familiares.
  • Uso de aeronaves: documentos e reportagens relacionam os voos a estruturas empresariais que envolvem Tomaz e empresas do setor de apostas. O advogado afirma que determinados deslocamentos foram custeados com recursos próprios ou de sua cota de utilização da aeronave.
  • Apartamento em São Paulo: segundo o UOL, Tomaz emprestou um imóvel para uso na campanha de Flávio. O apartamento havia pertencido anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
  • Mansão em Angra dos Reis: Flávio aparece ligado a uma disputa judicial envolvendo uma propriedade de luxo que passou a ter seus direitos de ocupação associados a uma empresa ligada a Tomaz.

Uma das frentes mais recentes de apuração envolve o mercado de apostas esportivas, conhecido como bets, e empresas ligadas a Tomaz.

Segundo reportagens publicadas em setembro e outubro de 2026, a Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo operações de apostas e possíveis conexões empresariais e financeiras entre o advogado e Flávio Bolsonaro.

Dados divulgados pelo Ministério da Fazenda indicam que ele movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas em diferentes plataformas durante 2025. A nota técnica também o identificou como o maior apostador do país naquele ano, considerando o volume de depósitos.

Quem não tem um amigo de 5 bilhões de reais?

Carta Campinas

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