Museu de Belas Artes
No que diz respeito ao sofrimento, nunca se enganaram
os velhos mestres da pintura: como entenderam bem
a sua dimensão humana; como ele ocorre
enquanto as outras pessoas comem ou abrem uma janela ou simplesmente passeiam;
como, na hora em que os mais velhos aguardam reverente, apaixonadamente
o nascimento milagroso, sempre há
crianças que não estão nem aí para ele, patinam
num lago do bosque.
Nunca eles esqueceram
que mesmo o martírio mais horrendo deve acontecer
de forma simples numa esquina qualquer, num lugar sujo
cheio de cães vadios, onde o cavalo do algoz
arraste o traseiro inocente numa árvore.
No Ícaro de Breughel, por exemplo: tudo volta as costas
calmamente ao desastre: o lavrador talvez tenha
ouvido o mergulho, um grito no ar;
mas para ele não era nada demais; o sol brilhava
como sempre sobre as pernas brancas que afundavam na água
esverdeada; e o delicado, luxuoso barco que viu,
talvez, aquela coisa surpreendente, um rapaz caindo do céu,
tinha um destino a atingir, e para ele suavemente navegou.
(tradução José Paulo Paes)
(foto Alex Ribeiro) A exposição "Dois Olhares", mostra que reúne trabalhos dos fotógrafos Alex Ribeiro…
(foto gabi perissinoto - divulgação) O Teatro Castro Mendes recebe, nesta quinta-feira, 18 de junho,…
Cena de "Esplendor" (foto divulgação) A exibição de "Esplendor" (2017), da diretora japonesa Naomi Kawase,…
(imagem reprodução) Traição à Pátria - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou…
(foto stu reprodução divulgação) Os trabalhadores e trabalhadoras da Unicamp votaram pela continuação da greve…
Fillipe Mauro (credito_ferdinand-poirier - divulgação) Fillipe Mauro revisita o pensamento do filósofo francês e discute…