A banda TEAfonia, formada por músicos autistas, se apresenta no dia 26 de abril, às 9h30, na sede do Instituto Anelo, no distrito do Campo Grande, em Campinas. O show, gratuito, integra as ações do Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, e contará também com participações de artistas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou com vínculos familiares com pessoas neuroatípicas.
Além do espetáculo, o grupo prepara a faixa autoral “TEAfonia”, em processo de gravação em estúdio e com estreia prevista no canal do Anelo no YouTube. A composição, assinada pelo músico e professor Marcelo Louback, propõe uma síntese entre diferentes linguagens musicais. “Pensei em uma peça que transitasse entre o erudito e o popular, com elementos jazzísticos”, explica.
A ideia da criação da banda surgiu no início de 2026, a partir da trajetória de Louback, que recebeu diagnóstico tardio de autismo, nível 1 de suporte, aos 48 anos. Integrante do Anelo desde 2018, ele também atua na Orquestra Anelo, no Anelo 6teto e em outros grupos da região. Louback conta que agora compreende o termo “notas Loubackianas”, usado por colegas para descrever seu estilo: “Eram notas diferentes, que fugiam da mesmice”.
A TEAfonia reúne jovens entre 14 e 26 anos atendidos no Anelo, com diferentes níveis de suporte, que compartilham o interesse pela música como espaço de expressão e convivência. É formada por Boris Wilson (violino), Murilo José Teixeira (piano), Matheus Cuelbas (contrabaixo), Ygor Melo (bateria), Ygor Pereira (percussão) e Eduarda Santos (piano),
O pianista Murilo, de 17 anos, que destaca o processo coletivo e a dinâmica dos ensaios: “A gente consegue se organizar mesmo tendo nossas diferenças e, ao mesmo tempo, sendo tão parecidos. O Louback é muito experiente, é um grande instrumentista, um professor que admiro”.
Para familiares, o projeto também tem impacto direto no desenvolvimento dos participantes. A agente de saúde Neiva Santos, mãe da pianista Eduarda, avalia a experiência como transformadora. “O Instituto foi um divisor de águas. A equipe é muito inclusiva e empática e isso a ajudou muito na socialização, no desenvolvimento de confiança e no aprendizado musical, que é de excelência”, diz.
Neiva destaca o papel da música para romper obstáculos e também chama atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre o autismo: “Algumas pessoas tratam os autistas como inteligentes e anjos azuis, mas gostaria que a sociedade tivesse um olhar mais amplo, porque cada um deles, independentemente do nível de suporte, sofre muito lutando seja pelas dificuldades de interação social até pelas comorbidades em alguns casos”.
Protagonismo
O show deste domingo contará com apresentações solo e participações especiais, como a violinista Alline Ribeiro, responsável pela produção do evento. “A ideia central é dar protagonismo aos alunos músicos no espectro, mostrando suas potências no campo da música e abrindo espaço para que se expressem através da arte, que muitas vezes pode ser também uma poderosa forma de comunicação, até mais acessível do que a linguagem verbal”.
Sobre sua própria experiência com o diagnóstico tardio, Alline afirma: “Para mim, o diagnóstico tardio tem muitos lados. Há o sentimento de finalmente compreender e dar nome às coisas. Permitiu que eu me respeite e me ame como sou.” E acrescenta: “Episódios da infância e da adolescência, assim como medos, confusões e dores, passam a fazer sentido.”
Outra participação será de Luccas Soares, fundador do Anelo e pai de autista. Fundado há 25 anos, o instituto atende gratuitamente centenas de pessoas por meio da formação musical e mantém a inclusão como eixo central de atuação. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: 26 de abril de 2026 (domingo)
Horário: 9h30 às 11h
Local: Instituto Anelo
Endereço: Rua Vicente de Marchi, 718, Jardim Florence, distrito do Campo Grande, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita e aberta ao público
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